quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Estou meio desnorteada, em época de Natal sempre fico assim. Possivelmente porque não me enquadro dentro do espírito natalino que tanto as pessoas prezam, não que eu me enquadre em qualquer outro molde que a sociedade capitalista cria. Espírito natalino não era assim um vez, eu nem sempre fui tão desanimada, as pessoas que começaram a tornar feriados capitalistas e eu a me fechar para eles. Natal deveria ser época de trazer paz para o coração, sossego para a mente e amor para as pessoas, sem presentes caros que não venham do coração. A coisa mais bonita que você pode dar a alguém e que não tem preço é o seu coração, pode parecer clichê mas é verdade. Se isso não bastar dê mais os seus pulmões, que daí assim ela terá sua vida e vocês poderão ser um nesse Natal. E se Papai Noel existir poderia por mais humildade no coração das pessoas ou fazer o favor de me levar com ele, assim ele poderia ser meu avô pela eternidade e todos os dias eu acordaria e tomaria meu café com ele, à tarde nos sentaríamos na frente da lareira e ele me contaria suas histórias de velho que eu amaria ouvi-las repetidas vezes, de como ele salvou o Natal sempre, e tomaríamos chocolate quente com cogumelos, e as renas esperariam ele do lado de fora da casa, ele sairia com elas e eu teria certeza que ele não me abandonaria como muitos. Então, não entendo como eles fazem os natais de hoje, só sei que não quero participar disso.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Não sei, sabe? Você sabe quando a gente anda sem saber? Estou meio assim, meio pra lá, querendo ser puxado para cá, encontrar meu eixo novamente. Como sempre tomei meu café, desci os corredores do prédio, um pouco depressa até, isso deve ter estragado tudo. Nunca reparei muito em quem passava ao meu redor,, ando muito ocupado, com café em uma mão e jornal do outro, pastinha embaixo do braço e paletó no antebraço. Difícil prestar atenção em algo que não seja o equilíbrio de tudo isso, e sei que se faltar algo eu me perco todo e tenho que começar tudo novamente. Enfim, achei que estava atrasado e nem notei que minha camiseta estava amassada, desci quase que correndo aqueles degraus e abri a porta que me levaria a um estado que me incomodaria em várias maneiras. Desde que acordei tinha aquela música na cabeça do filme que assisti ontem, Oh, Pretty Woman a música. linda com certeza, mesmo atrasado cantarolava baixinho "Pretty Woman walkin' down the street" e foi quando você passei ouvindo música em seus fones de ouvido rosa, esbarrou em mim e por pouco não levou meu café junto com você. O café seria pouco comparado com o que você levou de mim, levou meu coração para bem longe com você. Pobre ordinário que me tornei, pois você viveu longe 3 meses comigo para me trocar por seus vícios mais importantes que eu, e me deixar amargurado como sempre fazia cada vez que saía e me deixava te esperando até 5 horas da manhã, no sofá da sala com uma coberta apenas nas frias noites de Porto Alegre. Foi melhor você ter ido embora mesmo, assim me deixou vazio de uma vez ao invés de retirar aos poucos o que ainda restava dentro de mim, perversa se foi.

domingo, 4 de dezembro de 2011

- Cassie ainda não cansou de caminhar? - eu disse a ela.
- Não, é que as ruas daqui são tão diferentes das ruas de lá.
Eu já cansado, sentei-me em uma pedra arredondada que estava aglomerada entre as plantas, na beirada da rua. Talvez assim Cassie parasse um pouco, e deixaria de ser egoísta.
- Hey, olhe aqui, rápido. Do que se trata aquilo? - ela me disse rapidamente.
-Deve ser algum pássaro, um grande pássaro, eu acho. - respondi com incerteza.
-Você nunca tem certeza não é?
- Como assim? - respondi meio surpreso.
-Sabe, sobre nós... - ela disse meio que se abraçando, com aquele olhar longe, aquele olhar de lunática que ela sempre tinha - Eu pensei que você tinha deixado de achar... Na verdade acho que eu criei essa ilusão de pensar que você tinha deixado essa indecisão de lado, e tinha decidido viver ao meu lado.
Eu não suportava ver Cassie desse jeito, eu a amava, eu sabia que a amava. Só que eu tinha medo de que ao falar isso a ela, Cassie se assustasse e corresse para longe de mim, me deixando afundado em um mar de tristezas.
-Cassie, já conversamos sobre isso. Eu tenho de ficar e você tende voltar para sua vida... longe de mim. - eu disse contendo tudo que gritava em meu coração, ignorando o nó que vinha em minha garganta e as lágrimas que ameaçavam cair a qualquer momento.
-Você sabe que eu não quero ir para nenhum lugar sem você. Você é tudo o que eu tenho, e se eu for, eu vou ficar sem nada. E eu não quero ficar sem nada, não quero ficar um dia se quer sem nada! - Ela me disse, olhando em meus olhos. Ah, aqueles olhos azuis que é como se perder no mar olhando para eles, às vezes me esqueço que não estamos mais juntos, e tudo que quero é abraçá-la e mandar toda aquela tristeza em seus olhos embora.
-Por favor. Você sabe que é melhor assim, não precisa mudar sua vida por mim. Na verdade eu não quero que você faça isso, porque eu não faria por você. - disse a ela.
Aquilo pareceu ter doído tanto em mim quanto nela. Eu não podia deixa-lá saber que eu a amava mais que tudo se não ela não iria embora. Eu a queria perto de mim, mas sabia que aquilo acabaria com a vida dela, acabaria com tudo que ela já tinha conquistado até ali. Tudo que eu queria era o melhor pra ela, e sabia que naquele momento o melhor não era eu, talvez em outra hora poderia ser, mas não agora com nossas vidas começando e nossas carreiras apenas deslanchando em câmera lenta. Eu me despedaçaria por ela, e era isso que eu estava fazendo.
-Você não pode estar falando sério!? Então tudo que você me disse foi mentira? Você já me beijou e sentiu algo realmente?
Ela chorava, e eu não podia chorar. Ela gritava e eu tinha que aguentar ouvir seu apelo, ouvir ela jogar tudo em minha cara, e ficar fazendo papel de frio, de independente e mesquinho. Mas seria melhor para ela, então deixei tudo isso passar com a certeza que tudo ficaria bem depois.
Cassie foi embora, ela foi embora depois de eu a ter expulsado de minha vida. Até hoje dói, quando olho aquele azul anil, me dói. Penso nela e isso me dói, depois de 3 anos sufoco e choro feito uma criança por sentir a falta dela. Me arrependo muito do que fiz porque o avião onde ela estava caiu, e ela morreu. A culpa foi toda minha, e eu trocaria minha vida pela dela. Deus escute meu apelo, traga ela de volta e me leve em seu lugar, porque o mundo é tão infeliz sem Cassie. A luz do mundo se foi depois que ela nos abandonou, as risadas cessaram, as músicas silenciaram. Minha vida não vale mais nada sem ela, 3 anos se passaram e eu ainda não tenho coragem de ir encontrá-la onde quer que ela esteja.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Sempre me deixo cair nesse mar de acontecimentos repentinos, ambíguos e sedentários. Vivo em meu mundo imaginário, onde vivo como quero, e além disso vivo se quero, a ilusão é minha escolha, meus pensamentos voam como folhas de papel, quando jogadas contra o ventilador, estraçalhadas me fazendo sentir cada dor. Reviro-me do avesso, procuro soluções e a única coisa que vejo ainda fresco na estrada, são seus passos. Seu passos que me perseguem, que  me deixam marcas, que não me deixam fugir. Poderia esquecer de você, nadar contra esse mar, tornar meus sentimentos nômades. Mas você sempre volta, e o vento sempre acaba trazendo suas palavras de chegada e arrependimento, e você volta para remontar seu passos nessa estrada. Você pode ter esquentado meu coração mas deixou minha alma fria como a mais gélida noite de inverno, deixou meus olhos cegos, minha boca muda e meus ouvidos surdos. Perdi os sentidos, a sanidade e meu amor por você está se indo também. Está se esvaindo, assim como uma torneira aberta deixando a água passar mansamente, deixando meus pensamentos se diluírem nessa água, dando de encontro ao mar que me encontro afogada.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Quando você perde alguém que não pode substituir, e esse alguém e você. Eu me perdi, eu me perdi nas páginas dos livros que leio, me perdi em cada cena preto e branco dos filmes que assisto, me perdi em cada canção que saia de minha boca e do pequeno rádio em cima de minha cômoda. Me perdi em cada gole de café que tomava tentando esquecer dos problemas, e afogar o desespero e a agonia de mais um dia de escuridão. Me perdi em cada noite que não conseguia pregar os olhos, em cada noite que sentia medo do escuro por imaginar que poderia me perder nele, por cada fobia que sentia de criaturas fictícias de minha cabeça, me perdi pelo medo que sentia de mim mesma, e do que estava me tornando. Me perdi em cada palavra que rabiscava no papel, por cada linha que tentava desenhar em  minha cabeça para tentar me separar em algum ponto. Me perdi em cada tentativa de suicídio fracassada, que me deixava mais dores do que alívios. Me perdi em cada frustração, em cada gota de agonia despejada no meu rio de desesperos. Me perdi nesse vale negro de meus pensamentos, me perdi em cada corte em minha pele, em cada gota de sangue que caia de meus braços. Me perdi em cada olhar vazio na frente do espelho, em cada tentativa de luta contra isso, em cada perda de controle. Me perdi em cada desesperança e desapego. Estou perdida a tanto tempo que não espero que alguém me ache, mas se for me procurar, agora já tem dica de onde me encontrar.

domingo, 13 de novembro de 2011

Então, sento-me em minha cadeira como já é de costume, com minha xícara de café em mãos, em minhas mãos trêmulas, como voltaram a ser costumeiras. Pego a xícara com a mão esquerda, e ouço pingos caindo dentro de meu café, um líquido vermelho, denso. Sinto um cheiro de ferrugem e sal, vindo do meu café, aquela substância escorrendo do meu braço, se fundiu a meu café preto, fervendo. E agora não sei mais o que estou bebendo, se é café, o líquido vermelho, angústia, solidão, medo, lágrimas. Acho que no fim estou bebendo tudo isso, e sentindo isso dentro de mim, e engasgando com isso. E no final sei que tudo isso irá se resumir em um nó na garganta, que não irá embora de jeito algum, que não vai abrir espaço para o ar passar, que acabará me matando como eles planejaram. Por favor, alguém me tire desse mundo horrendo, onde as pessoas morrem, onde as pessoas vivem, onde as pessoas mentem, onde as pessoas não sabem amar. E elas me deixam louca, e elas tiram o resto da sanidade que sobrou em mim, e elas querem me ver para baixo, e elas querem que eu resista, e eu não quero resistir, não quero me expor, quero passar despercebida por tudo, quero paz, quero sossego, quero a desolação, mas o que eu mais quero é me ver fora de tudo isso. Porque vocês são feios, porque vocês me acham feia, e porque vocês são falsos um com os outros, e porque vocês não sentem mais, e me forçam a não sentir também. Me sinto louca, quero dar o fora daqui, e vou dar o fora daqui.

sábado, 12 de novembro de 2011

Esperança, por que você insiste em desperdiçar tudo que tem nisso, que nem ao menos você consegue sentir, consegue acreditar? Não há necessidade de se jogar nesse breu de falsas ilusões, minha pequena, não se esqueça de que ainda há muito caminho a ser andado. Portanto, trate de por seus pés no chão, a cabeça, faça o que quiser com ela, já que deixa ela com os astros, vagando e pedindo mais nesse universo imenso, e escuro. Não tenhas pressa, mas não se atrase, ainda tenho dificuldades em suportar seus atrasos, sempre chegas de última hora, assim, como uma chuva de verão, que se acaba sem deixar rastro algum. Ainda consigo sentir você na ponta de meus dedos, sinto seu olhar atrás de minha nuca, e por mais que estejas longe de mim, sinto seu cheiro ao meu redor. Mas esperança? Trate de se deserdar e deixar outra coisa tomar o seu lugar, não sugue o resto das forças que ainda restaram em ti, lembre-se de que ainda me procuras. Não se apresse, pequena, vejo como você tropeça de tal maneira, que mal consegue parar em pé, assim como pretendes chegar até mim, se a única coisa que tens é essa tal esperança? Se pensas que é a única coisa de que sinto imensa falta, saibas que sinto imensa falta é de você, e God, desejo -meu coração- que você chegue logo e me encontre, porque sua falta está me matando, e dor de amor não mata, mas as cicatrizes são inevitáveis, pequena.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Desde então amarro meus pedaços e os arrasto floresta adentro. Os guardo em um lugar pouco seguro, o suor escorre de meu rosto, pequenos arranhões marcam meus braços e tentam esconder marcas do meu passado. Pego um pequeno elástico para prender meus cabelos em um coque mau ajustado no auto de minha cabeça, e passo a mão em minha testa, que com certeza deve ter ficado suja de terra. Escolhi essa floresta para jogar meus pedaços pois aqui não é nem quente nem frio, o vento sopra de leve, fazendo os pelos da nuca arrepiarem, e os ruídos são ouvidos de longe. Aqui é um ótimo lugar para começar de novo, no silêncio, na natureza, longe de tudo e de todos. Tudo volta para onde pertence, e no fim cada coisa se torna inteira novamente, com algumas rachaduras, funcionam com menor desempenho do que antes, sinto muito menos, mas mesmo assim posso sentir que estou inteira. Respiro com mais tranquilidade, o ar é mais puro aqui, o movimento é longe, posso sentir tudo fazendo sentido novamente. Me ajoelho no chão de terra batida e sujo meus jeans, estou feliz por sentir o chão sobre meus pés novamente e as peças se encaixando em minha cabeça confusa.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

E quando eu me perco de mim mesma, e procuro você nas minhas mais frescas lembranças, fico feliz ao não me deparar com um vazio irremissível. Me deixo vagar por minhas memórias por vezes sombrias, mas quase sempre iluminadas por um lindo sol que transparecia como uma áurea ao redor de sua pele delicadamente branca. E por vezes fico com medo de que você seja realmente um anjo que em um piscar de olhos irá revelar suas asas, e levantará voo ao céu, tapando o sol, me deixando em completo desespero, e na escuridão de um mundo sem você. E seus olhos azuis, serenos, que fazem-me navegar por um mar profundo e aquecido pelo brilho de seu espírito, puro mas perverso. Imagino vários cenários para nós, cenários que como sempre, não fazem sentido algum, e não chegarão a ser algo concreto. A irrelevância de meus pensamentos, dilaceram meu ser de tal forma que hoje encontro-me destroçada, assim como um corpo que foi mutilado, e que teve sua alma roubada por algum ser das profundezas das trevas. A dor que vem à calhar em meus dias tediosos, eu a amo, pois assim sei que essas coisas que eu sinto, e você, não são só fantasia de minha cabeça, não são uma ilusão que minha mente fez para me assombrar. Desejo entrelaçar meus dedos em seu cabelo castanho,  e conversar sobre coisa fúteis com você, mas por hora, apenas sua lembrança fortalece esses sentimentos e aquece meus ossos.

sábado, 22 de outubro de 2011

E o passageiro sombrio volta à bordo, toma o controle da linha mais uma vez. Pegou o trem em movimento, pegou minha alma para si. Desvencilhar-me dele, impossível. Trancafiar ele seria a opção que eu por vez o fiz, mas o soltei por sentir sua falta ou por um momento de fraqueza. E a solidão, tristeza, arrependimento chegam como um vento forte do norte, que mexe com meu interior dando segurança para o monstro se esconder de minhas armadilhas. Sou eu que sou o mártir dessa vez, sou eu que devo levar a culpa, esse tempo todo sempre fui eu querendo jogar a culpa no meu passageiro sombrio. Eu dei liberdade para ele pular no trem em movimento e me jogar para fora dele assumindo o controle completo. Lágrimas de sangue correm por meus braços, minha alma arrumou um lugar para deixar suas lágrimas vermelhas saírem. E eu vou arrumar um lugar para me esconder de mim mesma, não me deixem sozinha comigo mesma.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Do lado de fora solidão
e dentro dói meu coração
que apesar de todo tranco
e todas desilusões
continua sendo franco
quando bate apenas por ti
bate apenas por você ser feliz
e sabes que isso eu nunca senti
Ah, acho que meu amor está criando raiz
Ele parece não ter fim
Com seu sorriso doce e ameno
Se abrindo para  alguém que não seja mim
Me dá uma vontade de provar desse veneno
Que é ver minha alma entristecendo
e sedendo assim,
a solidão que a tanto rodeia a mim.

sábado, 15 de outubro de 2011

Olha ela ali, passando na rua, como se não houvesse mais nada que pudesse fazer. Ela que era cercada pelo amor, por esse mesmo amor que a machucou tantas vezes, que a afugentou, que a trancou na escuridão de seus muros, que arrancou-lhe lágrimas dos olhos sem pestanejar. E agora esse amor expulsou-lhe de seu refúgio de um modo petulante, meio assim, arrogante. E a faz permanecer perambulando por essas ruas sujas e longas, onde se perde facilmente, e abandona qualquer um que tente lhe estender a mão, ou tente lhe dar um coração. Ela queria dizer a ele como sente sua falta, e como queria ter o seu amor, já que o dela lhe abandonou. Queria contar que parou de fumar, já que ele reclamara do seu hábito ser horrendo e por vezes nojento, parou de viver dias de meia-fase, e viajar por mundos imaginários que causavam nele tanto medo dela, por ela parecer por vezes pirada. Ela sente falta desse amor que lhe abandonou como ele fez, assim como sente falta de seu hálito quente em seu rosto a acordando de manhã, e de seus braços pálidos e finos cercando-a quando o encontrava, e da maneira como ele estreitava seus braços ao redor dela cada vez que dizia coisas lindas em seu ouvido. Esse amor lhe causou muitos medos, muitas incertezas, muitas crises, inúmeros machucados, lágrimas escorrendo por seu rosto, mas também lhe causou tanta alegria, tanto bem assim como tanto mal, e agora simplesmente a mandou vadiar por essas ruas sem fim, onde não tem certeza se está ou se quer estar -ou não quer estar- onde se sente presa, sufocada, sem vida.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

- Vim aqui cedo, pois soube que você iria embora por um longo prazo. Para onde vai? Ouvi falar que você iria para Nova Zelândia, dizem que o clima lá é bom e que as pessoas não são de todo mau. Mas eu tenho algo para lhe falar, algo que tento a alguns meses já. Você andou muito ocupado, e eu não consegui acompanhar seus passos, nem acompanhar a linha de seu raciocínio quando tentava me explicar o porque de nós não termos dado certo. Hey, me mande postais todos os dias, e nunca se esqueça de conferir seu email, é claro que nunca irei esquecer de te ditar tudo que acontece por aqui, se quiser saber, é claro.
Sabe, acho que irei me aproximar dessa janela, sempre esqueço-me de como é fresco aqui desse lado da cidade, e nossa, como é linda a vista daqui de cima. De todas às vezes que vim aqui, nunca prestei atenção em como é desajeitado seu apartamento, pequeno, por quê suas roupas continuam jogadas naquele canto desde a semana passada? E não me olhe com essa cara de quem foi ofendido, sabe muito bem como sou criteriosa com limpeza.
Enfim, já estava perdendo o foco de o porquê vim aqui, sabes que me empolgo quando começo a brincar com as palavras, pareço uma menina travessa. Lembra da vez em que me pegou no colo e me fez te dizer várias palavras com a letra i que demonstrassem meus sentimentos? Parei em infindável, e agora você diz que não demos certo por nos amarmos demais. O amor é uma coisa muito complexa para os seres humanos alcançar, e acho que nós nem começamos a caminhada para ele.
Ah, sim. O que vim falar é que recomece sua vida nesse outro país, não irei ao seu encontro pois meu amor está como água morna se esfriando a cada dia que passa, mas quero que sejamos bons amigos da melhor forma possível, nossas mentes sempre afogaram nossos sentimentos, então, bom amigo, me mande cartas e por favor, uma daquelas estatuetas dos monumentos históricos desse país.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

É assim que isso termina de novo, nenhum final surpreendente, nada de coisas que não eram convincentes. Lembro-me da primeira vez que vi você, meu coração deu alguns pulos estranhos, eu não sabia o que ele queria me dizer, senti que conhecia você. E quando você me olhou nos olhos e eu prendi a respiração por um momento que parecia uma eternidade, e meu coração queria pular para fora de meu peito e eu só sabia olhar para você, e desejar você, e queimar por seu amor. Queria me perder dentro dos seus olhos, mesmo sem ter conhecimento algum sobre os caminhos de sua mente, só sabia que queria me perder em você. E traçava mil e um planos na minha cabeça para me aproximar de você, esbarrar, sorrir, cumprimentar. E hoje me pergunto, quando meu coração vai parar de bater por você, e quando vai tratar de devolvê-lo? Pois de jeito algum o seu chegará a bater por mim, e seu sorriso trará luz para minha vida. Acho que está chegando o momento onde eu me desfaço de você, me desembaraço de suas teias e liberto minha alma atormentada por seus sorrisos e seus olhares. Deixarei de procurar você onde eu vou, tratarei de esquecer de sua voz rouca, pararei de pensar em você e tratarei de pensar em mim.

domingo, 2 de outubro de 2011

Andava de um lado para outro, com seu cérebro trabalhando a todo vapor, absorvendo toda a informação de sua última conversa com ele. Sua mãos tremiam sem parar, sua unhas estavam cravadas na carne de seus braços, seu olhar era vazio, seu rosto estava sem expressão alguma. Como depois de todo esse tempo fingindo alguém conseguirá ver através de sua camuflagem? Valerie, era menina esperta, olhar perceptivo, mente aberta, mas quieta. Setembro, Setembro se fora, e deixará muitas lembranças para ela, dolorosas -talvez- de seu pseudo-romance. Outubro chegou sem nenhuma esperança, só algumas cinzas de cigarro e borrões de lembranças no ar dentro de seu apartamento. Valerie finalmente fez parte do ciclo onde ela via todos se entregarem, o ciclo onde ela se apaixona, se machuca, sofre, deixa as feridas cicatrizarem, e recomeça tudo de novo. Iria voltar para sua vida preta e branca longe do ciclo, Outubro seria preto e branco, assim como aqueles lindos filmes mudos e melancólicos, onde a mocinha se pega andando pelas ruas chutando pedrinhas e pensando em quando tudo chegará ao fim. Setembro foi como aquele filme, Outono em Nova York, só que com os meses invertidos, onde a protagonista vive com seu amor alegremente, até que morre por uma doença terminal. É claro que Valerie não morreu literalmente, mas quando a alma morre o corpo não dura muito tempo, e quando o coração parte nem mesmo um novo amor é capaz de fixá-lo.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Estive pensando sobre você, nós, eu. E decidi que não podemos ser esse trio indesejável, ou somos só nós, sem você e eu, ou não somos nada. Penso em você, mas não penso em mim, penso em nós mas não penso em você.   Estamos sempre em guerra, sempre preparados para algo ruim. Mas querida, por quê não baixa a guarda para podermos ser só nós? Medo não poderia ser, pois prometi acabar com todos os seus medos enquanto você estivesse comigo, tratei de guardar todos os meus medos dentro de um baú para poder lutar contra os seus. Peço desculpas se não consigo dar-lhe os sentimentos que merece, não sou muito boa em romance, tanto que nem sei me portar diante disso, não sei que decisões tomar. Você acaba com minha dor, me traz amor, e agora consigo sentir em parte isso, e queria que pudéssemos ser nós, e você deixasse de ser você, e eu deixasse de ser eu, e restaria só nós.

domingo, 25 de setembro de 2011

Hoje acordei em um dia fatídico, monótono. Deixei sobrar um pouco de café amargo no fundo de minha xícara, meu livro continua sobre a cama aberto em uma página piegas, onde não consigo terminar de ler por fadiga, chatice. Meus óculos, devem estar jogados em alguma parte da bagunça de meu quarto. Meu romance, está em algum fundo falso de gaveta. Meu coração, se bem me lembro, troquei-o ontem por uma pedra cinza, que julguei ser linda. Minhas palavras, acabam de se desprender de minha alma, e de meu coração -independente de  onde é que ele esteja agora. Por ironia, sinto como se alguém acabasse de chutá-lo, confundiu-o com uma pedra. Não desejo que o sol egoísta me abrace hoje com seus raios apaziguadores, nem desejo que a escuridão me tome em seus braços causando apagão em minha mente. Deixarei que ambas me toquem para não ter de pertencer a ambos. Meus desejos ambíguos, cessaram por hoje. Ouço pássaros tranquilos, e alegres cantarem no céu lá fora. Cantam a canção da liberdade, pregam seu canto doce por onde passam, julgo estarem querendo nos dizer que a vida é linda, e que o mundo lá fora não é tão feio se pararmos de apontar seus defeitos, vejam, estão nos convidando para nos unirmos a eles nessa cantiga harmoniosa e esperançosa. Minha arrogância me cega a tal ponto de não conseguir me mover para segui-los, mas meus ouvidos ouvem seus pedidos com clareza.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Estive analisando por um tempo, o amor realmente pode ser comparado a um campo de batalha, de certa forma. Em uma batalha você usa de todas suas armas, teme perder, segue outra pessoa, e por vezes se deixa levar por seus instintos e pelo coração. No amor, você também usa de todas suas armas, só de pensar em perder a pessoa amada dói, segue até o fim o seu amor, se deixa levar por seus instintos e pelo coração, principalmente. Mas uma coisa que eu acho extremamente importante compararmos, é como no amor e na guerra é de suma importância a evacuação depois de uma derrota, na guerra todos sabemos o que acontece, e no amor alguns não se dão por conta, mas quando perdemos, evacuamos qualquer tipo de sentimento que sentíamos pela pessoa, limpamos os pedaços, apagamos os indícios desse amor, e tentamos nos livrar de todas as lembranças dessa tragédia. Então, pode se dizer sim, que o amor é um campo de batalha.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Acho que pela primeira vez descobri o que as pessoas queriam dizer com "A pior dor de todas é a dor de amor". Não é só uma dor pequena, é a dor da rejeição, a dor que devasta todo seu interior o deixando inabitável. Nunca passei por dor parecida, é dilacerante, dá vontade de fazer qualquer coisa para acabar com ela, acabar com a própria vida se tornou uma alternativa. Consegui alimentar falsas esperanças me deixando levar por seu humor, seu sorriso e suas conversas, mas na realidade eu era só uma marionete em suas mãos. Meu coração foi estraçalhado, pisoteado, e as peças se perderam pelo chão, banhadas por minhas lágrimas que por tanto tempo não quiseram cair, e agora caem incessantemente. O erro da maioria das pessoas -erro que cometi- é se deixar acreditar nas belezas do amor, é uma farsa que todos querem nos fazer acreditar, amor verdadeiro não existe, pelo menos não para mim, não mais. Dor dilacerante, sentimento angustiante, quando você ama alguém realmente tem que entregar a pessoa seu coração e sua alma. Mas se a pessoa partir seu coração em milhares de pedacinhos diferentes? Daí reze para que haja cola super bonde que o cole bem, pois logo ele tem de estar habitável de novo, para a nova chegada de um novo amor. Confesso que estou um pouco decepcionada com a "pior dor do mundo", pensei que duraria mais tempo, não só duas canções. E agora que a dor se foi deixando a tristeza para trás, e a grande decepção -meu lado masoquista falando- seguirei minha vida e farei de você apenas rabiscos do meu rascunho, onde logo será descartado junto com as outras anotações. Adeus.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Eu me via sozinha, via que meu café iria esfriar antes mesmo de você chegar. Me perdia em cada palavra escrita no jornal, via notícias sem dar importância para nenhuma delas, no ponto em que cheguei para mim tudo fazia parte de um quebra-cabeça daqueles que você perde uma peça, e irá ficar sempre incompleto. No fundo eu sempre soube que andaria pelas ruas chutando pedrinhas, fumando meu cigarro como se a fumaça que preenchia o ar acima de minha cabeça fosse levar com ela todo meu sofrimento e todas as lembranças que me restaram de você. Faz parte de meu passado, mas não participará de meu futuro incerto que me assusta de tal modo, que me vejo presa ao presente e a todas as feridas e cicatrizes que nunca deixaram minha pele limpa. Jogo tinta preta em um determinado ponto de minhas lembranças e as deixo borradas, dificultando a visibilidade de qualquer um que as tente ler. Vítimas do tempo deixamos tudo atrapalhar nossas vidas, deixamos uma simples chuva se tornar uma grande tempestade sem procurarmos abrigo. Agora, ando com as mãos nos bolsos, um cigarro na boca, e uma grande dor no peito escondendo um coração partido, que sobreviveu a grandes paradas e dificultou várias vezes meus pulmões de fazerem o trabalho deles. Suas lágrimas seguem frescas em minha memória e petrificadas em meu coração, e seu adeus ecoa em meus ouvidos me matando aos poucos.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Você passa tanto tempo fingindo estar bem e segurando um sorriso falso em seu rosto, que depois de um tempo já não é mais falso, e você se sente bem com tudo isso. Depois de tanto tentar me sentir bem, acabei me sentindo, não por querer me enganar, mas por encontrar algo que me faça feliz. Não completamente, claro, porque ninguém é feliz por completo, mas ajuda a preencher um pouco esse vazio, e já não me sinto mais no direito de forjar um sorriso, porque agora posso sorrir por estar feliz, por ter motivos. Já não dói mais tanto de fazer curvar-me e gritar compulsivamente, um dia a dor sumiu, procurei em todos os lugares ela pois já tinha me acostumado a sua companhia, mas percebi que nem ela quis permanecer muito tempo comigo. Na vida tudo é passageiro, principalmente os momentos felizes, mas você tem de se machucar para saber quando está curado, tem de sofrer para se saber que está bem, tem de chorar para saber o valor de um sorriso. Veja, até eu tenho meus dias de paz, e às vezes a dor vem me visitar, lembrar-me de meus erros, eu a acolho pois agora sei, que até ela que pensei nunca ir embora, está só de passagem.

domingo, 11 de setembro de 2011

Sinto como se tivesse milhões de borboletas presas em meu estômago, me fazem flutuar, me sentir leve, dá uma vontade de deixar-me levar por esse turbilhão de coisas novas, me entregar de vez a tudo isso, como qualquer outro ser humano normal. Sei que posso contar nos dedos os segundos em que me sinto igual a qualquer um, então por favor, o causador dessas borboletas em meu estômago trate de tirá-las de lá, pois isso está me consumindo e quando acabar, eu vou ao chão junto. Se seu objetivo é fazer com que eu me sinta inteira e preenchida, digo-te que poderá até conseguir, mas quando você se afastar e levar de mim tudo isso, além do vazio habitual, terá o vazio deixado por você -que sim- irá me matar aos poucos. Tentarei alimentar essas borboletas com algum sentimento, se elas encontrarem -se não criarei um fictício para elas- pois nunca me senti assim, e desejo muito mesmo que isso se demore a passar, que não se acabe como um romance de primavera, que ficará guardado dentro de uma gaveta.

sábado, 10 de setembro de 2011

Com o coração preso em minha garganta, batendo rapidamente à medida que me aproximo da mesa. Da mesa em que nos sentamos e trocamos confidências, sem mesmo nos conhecer-mos direito. Lembro-me que você pediu um cappuccino, dizendo que era o mesmo de sempre, eu para te acompanhar, pedi o mesmo. Observava cada movimento seu minuciosamente, ansiava para que não fosse o último. Alguma coisa me dizia que eu nunca mais veria você, que então de fato, tinha de pegar em sua mão e dizer que aquele momento representava algo. Mas representava o quê? Se nem ao menos pedi seu nome, fiquei perdida em cada gole de café que você tomava, cada gole nos deixava perto do final, e ia me matando junto. Contei-lhe todo meu cotidiano e via passar por seu rosto diversas expressões, não era só eu que não queria que tudo acabasse, você também, pois tomava seu café lentamente. Era engraçado o modo como você fechava seus dedos longos e finos em volta da xícara, e a levava a boca, brincando com o vapor que saia. Até hoje não entendo como você conseguiu arrancar todas aquelas verdades de mim, sem ao menos pedir por tais. O café esfriava, e o fim se aproximava. Eu não queria voltar para minha vida calada, para aquelas ruas sujas, voltar para meu apartamento desorganizado, e ter de fumar maços e maços de cigarro e tomar qualquer bebida forte, para me fazer esquecer da realidade e me levar para qualquer outro lugar, voltar a ler aqueles jornais da semana passada, rindo daquelas charges sem graça, e me perdendo em notícias das quais não queria dar a mínima importância. O café esfriou, você diz que não há mais motivo para ficar ali tentando engolir aquilo que lhe causava repugna, levantou-se com um leve aceno de cabeça virou-se e foi embora, me deixando até hoje sem notícias suas e sem um nome para acalmar esse aperto em meu peito.

domingo, 4 de setembro de 2011

Hoje sinto tanto sua falta, poderia chorar, eu realmente queria chorar por não ter você. Dói muito, e hoje eu vejo o quanto dói a sua falta, que eu perdi muito de não ter feito nada para ter você ao meu lado. Você poderia ter me prendido ao seu corpo para sempre, eu já perdi a muito o controle sobre meu ser por inteiro, você poderia ter-me por inteiro sem mais esperas. Tem vezes que penso estar correndo de você, mas sei que minhas pernas não me obedeceriam, não me levariam para longe de você de maneira alguma. Peço que me ouça quando digo que gosto muito de você, mas acho que não estaria disposta a me mover muito para ter você, prefiro sofrer ao fazer você sofrer. Não posse prender-te a mim sendo que não posso lhe oferecer nada do que um corpo machucado, cheio de cicatrizes, onde você com certeza sentiria remorso em ficar perto. 
Não há mais jeito, estamos quebrados, nosso pseudo-romance se perdeu em todas as horas de espera para encontrarmos, irreparável. Toda essa destruição externo se fez interna, estou morrendo a cada segundo que passa, sinto-me fraca, e não quero que você veja isso e pense em ter pena de mim, quero que se lembre de quando eu sorria ao vê-lo se aproximar, e quando éramos quase algo. Não quero que chore ao me ver partir, nem que fique dias inconsolável, pensando em como poderíamos ter sido algo, quero que apenas me deixe ir, e que você siga sua vida  de uma forma que não possa chegar a mim de nenhuma maneira. Eu te amo tanto a ponto de não deixar você se prender a mim e minhas feridas.

sábado, 3 de setembro de 2011

Penso que meu coração se cansou de tudo que vejo, do que vivo, de bater todos os dias para um único propósito, de me deixar viva para presenciar a destruição em massa, e maltratar minha consciência, me forçando a pensar em coisas que julguei a muito terem sido esquecidas. Nunca passei por uma fase piegas em todos esses anos, considero isso uma vantagem minha sobre todos. Espero sempre que tudo passe rápido, para mim não ter tempo de pensar e iludir-me. Para que viver se sabemos que sem mais nem menos deixamos esse mundo horrível, quase sem nenhuma explicação, deixando quem nos ama e a quem deveríamos amar de volta desolados, desligo-me mentalmente de tudo isso, para poder ter meu tempo de paz.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Noite passada, perambulei pelas ruas vazias de minha mente, passei pelas ruas mais desertas ainda do meu coração. Não sabia o que queria, sabia que queria só andar, talvez correr. Senti que estava procurando por algo, estava chamando por algo. Andei chutando as pedrinhas que se soltaram de minha alma, em forma de memórias. Olhando o negro céu onde brilhavam poucas estrelas que pareciam querer me dizer algo, só que não conseguiam arrumar formar de fazer isso. Sempre de cabeça baixa, fui andando lentamente, corria algumas horas, pois queria sentir o vento soprando forte em mim. Quando essas ruas tornaram-se tão vazias, uma vez que havia vida lá algum tempo atrás, ou era pura ilusão? Fui dobrando esquinas, sentindo o desespero subir pela minha garganta sufocando-me. A cada esquina ia enfraquecendo,  ponto de o medo me dominar e meus joelhos dobrando me jogando no chão. Gritei de medo quando eu senti as sombras me agarrando e me puxando para elas, quando elas estavam quase engolindo-me completamente, senti uma mão agarrando a minha, me puxando com todas as forças para fora. Era você, o que eu procurava durante toda essa andança era você, o que eu mais deseja nesse mundo era você. O que me tirou da escuridão e me fez viver, foi você. A razão dessa procura, era você. Sinto muito ter de abandonar meu coração gélido, mas foi ele que me traiu antes. Não quero mais ele, porque eu só quero você. Quero um novo coração, quero um novo começo, uma nova caminhada ao seu lado.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Quero gritar, quero chorar, quero você perto de mim, mas não tanto que possa fazer com que eu não consiga mais viver sem você. Quero correr com você, para você e sem você. São paradoxos que não consigo impedir que venham em minha cabeça, e todos ligados a você. Eu acho que amo você, mas eu não quero amar você. Você me causa medo, mas me causa tanto amor, me causa angústia e também consegue acabar com ela. Consegue com que eu fique pensando só em você e esqueça de mim. Reprime meus pensamentos egoístas ao ponto de eu nem saber se sou eu mesma mais. Me põe a prova cada vez que decidi falar comigo, não sei se deixo você para fora de minha vida ou deixo entrar. Minha dúvidas nunca chegam ao fim, como as respostas também não chegam até mim. Escrevo sobre tudo isso porque sei que minha mente não é o melhor lugar para guardar todas essas coisas, a qualquer momento ela pode me trair como meu coração o fez. Sinto que posso me entregar aos seus braços, mas que não me sentiria completamente confortável neles. Tem vezes que quero tanto você que chega doer, chego a sentir você em toda a parte, vejo você em cada pensamento e se não vejo penso que vejo. E quando penso que posso estar sendo substituída, dói muito, nunca doeu tanto quanto agora. Queria aprender a amar você como deveria, e não desse jeito desajeitado, queria que você me ensinasse, mas não tenho certeza se poderia. Te mandei sinais mais do que podia, mas me sinto esgotada. Queria poder proteger você de tudo quanto fosse mal, andar ao seu lado, conversar sobre coisas bobas, ouvir o som de sua risada abafado pelos seus lábios que estarão selados nos meus, ouvir sua voz baixa perto do meu ouvido, ter sua respiração no meu pescoço. Sinto saudades de tudo isso, que nunca aconteceu e está longe de acontecer.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Ando cansada dessas procuras inúteis, das quais eu sei que nunca vou obter um resultado satisfatório. Quando penso que finalmente o amor me encontrou, vejo que ele nem ao menos bateu em minha porta, pois eu não estava a sua procura e nem ele a minha. Sim, sei. Já me conformei com essa história de não gostar de ninguém, não pelo fato da dor -pois ela não me faz diferença- mas sim, porque sei que não conseguirei me prender a um ser do jeito que ela tentará se ver preso a mim, não quero isso, não gosto. Não conseguirei retribuir nada que não seja algo falso, sem propósito. Por isso, tiro a conclusão que devo viver sozinha, seguir minha vidinha normalmente, fingindo que nada aconteceu. Que ao menos nem um fio de adoração por você passou por mim, só mais um entre poucos que conseguiram levantar meu olhar em sua direção por pouco mais de 5 minutos. Meu coração continuará solidificado, não correrá risco de bater forte ou mostrar qualquer sinal de vida.

domingo, 14 de agosto de 2011

Quando você vê tudo desmoronar na sua frente e não quer estar ali para ver mais, tenta todas as saídas, qualquer forma para fugir disso, qualquer coisa que desvie seu olhar, qualquer coisa que faça você ir embora. Você sente seu corpo inteiro doer, um nó na sua garganta fechando, um sufoco no peito que não consegue repelir. Você deseja com todo seu ser que isso vá embora, que a dor desgarre de você, que você possa respirar tranquilamente. Espera palavras de conforto sabendo que não será a solução, mas só quer se ver calma, ver sua mente fugir disso. Bruscamente sente seu coração pular para fora do peito, seus batimentos ficarem descontrolados, a loucura tomando conta de sua mente, um grito de desespero ficar preso em sua garganta. Debato-me contra tudo isso, grito mentalmente para eles irem embora, ameaçam voltar, arranham minha alma, ferem meu ego, me botam contra o espelho e me fazem enxergar um monstro. Se vê sem saída novamente, um desmoronamento é imprescindível, e sabe que tudo irá cair sobre sua cabeça, tudo vira à tona. No final, quando a luta contra você mesmo está ganha, sente-se cansada, enjoada, quer morrer mas não pode decepcionar quem a ajudou e a quem será grata pelo resto de sua vida.

Se fosse tão fácil arrancar essa dor que me sufoca e se esconde em peito, guardá-la em uma caixa vazia debaixo de minha cama por segurança, faria. Essa dor que traz lágrimas das quais eu não consigo arrancá-las de meus olhos, e acabam por fim ficando presas como cimento em meu árduo coração de gelo. Isso está sufocando e matando todo e qualquer sentimento que ameaça emergir de minha alma gasta, provocando ondas de arrepios por toda a  minha espinha. Chega a sufocar até meus pensamentos, causando um nevoeiro por toda minha mente, deixando-me as escuras, sem direção. Digo que esse sentimento escolheu a pessoa errada para povoar, e tomar por posse, não sou o tipo que reage vivamente a tudo isso. Esse sentimento está se sentindo sufocado e fazendo com que eu me sinta também assim, pois não acha ser algum para se instalar e compartilhar o que ele acha direito. Quero fugir dessa nostalgia, gritar alto até a garganta sangrar, espernear, correr para longe sem rumo. Deveria estar sentindo algo bom, mas não sinto. Quero chorar, quero gritar, quero fazer coisas das quais não seria bom me lembrar, quero que essa sensação vá embora, e leve  tudo isso com ela. Quero ser livre outras vez, ser vazia, construir novas barreiras, novas regras, não viver, não compartilhar, não sentir. E não quero ter de gritar para o mundo isso, ter de chegar na sua frente, falar a verdade, ter de assumir todas essas coisas das quais eu não tinha nenhum conhecimento antes. Pelo menos uma vez na vida gostaria de poder chorar, para expulsar tudo isso de dentro de mim, já que meu antigo método foi vetado. Quero sangrar até sair tudo que há dentro de mim e me deixar vazia novamente, ver o sangue escorrendo e indo embora, para ter certeza de que não vai voltar.

sábado, 13 de agosto de 2011

Lembro-me como se fosse ontem, aquela brisa roçando de leve meu rosto, meu cabelo -castanho avermelhado- dançando conforme a direção do vento. Meus olhos castanho claro brilhando como o mais forte sol, meu sorriso sincero se abrindo a medida que se aproximava. Segurei sua mão, e me deixei levar por seus encantos, ouvi sua voz condolente dizendo que queria que aquele momento durasse para sempre, e seus lábios rosado procurando os meus. Contamos intermináveis histórias fictícias, inventamos novas maneiras de percepção. Corremos em direção de algo que sabíamos que era inexistente, nos agarramos a coisas abstratas, não sobrevivemos ao último inverno, congelamos. E hoje, forço meus pensamento a voltarem naquele dia. Aquele dia que você me abandonou, que largou minha mão e seguiu em frente. Você conseguiu se descongelar, eu continuo aqui, presa nesse bloco de gelo, sem saída, sem direção.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Um ser não pode ser feito só de palavras, pois além de vazias, se corrompem facilmente. O tempo não é culpado de nada, ele não pode apagar os seus erros, os meus erros. As cicatrizes são incuráveis, e o arrependimento não chega, a dor pelo o que você deveria sentir é incessante. Os fantasmas arranhando seu corpo, te puxando para junto deles, machucando você até sangrar. Eles não te deixam em paz -não me deixam em paz- perseguem em círculos, corremos para longe deles. Tem sempre aquela dúvida atormentando a sua cabeça, aquele livro cheio de questões infinitas. Morreremos e nem ao menos nos despediremos direito dessa vida.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Critico-me mais uma vez, deixo-me atemorizada, presa nessa nostalgia que parece não ter fim. Sabia que aquilo não tinha acabado, nunca chega ao fim dessa minha busca incessante, de maneiras para por um ponto final nessa história. Será que não enxergam o quanto isso me faz mal? A falta de fé que têm em mim é entristecedora.  Menosprezam tudo o que faço, não enxergam minha luta, não se dão ao trabalho de ao menos olharem em minha direção, para ver se sorrio ou não. Existe uma nuvem escura pairando em minha  cabeça, deixando-me em completa escuridão. Torço para que essa nuvem não cresça, e se torne uma enorme tempestade, deixando todos nas sombras, alienados a solidão e medo.
Acho que palavras não serão necessárias, se minhas células chamam por você, se meu corpo se aquece de encontro ao seu. Ignorar tudo que está acontecendo dentro de mim, seria hipocrisia de minha parte, um absurdo. Quando percebo que está me olhando, sinto vontade de retribuir, mas minha vergonha de cruzar nossos olhos, me impede, pois você teria uma certeza. Isso não seria de todo mal, na verdade, seria de todo bem. Minhas mãos tremem loucas para pousar nas suas quando se aproxima, minha boca fica seca com palavras que eu não consigo verbalizar, meu nervosismo aumenta. E como um incinerador ao ser jogado lenha, queimo em chamas quando te olho, e quando você me olha, me perco em devaneios imaginado, você em meus braços.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Isso está a impossibilitando de partir, seu coração quer ser livre, mas está cheio de sofrimento e pequenas gotas de amor espalhadas por ele. Menina, tem de resistir, manter-se firme sobre seus pés, seguir em frente e jamais olhar para trás. Não aguenta mais esse lugar, essas pessoas, esse cotidiano. Seu coração chora em silêncio, chora por ela, já que não consegue chorar. Sente o peso de suas decisões pulsando em sua mente, quem sofre por tudo é seu coração, que por infelicidade, continua batendo. A vida é tão irônica e má, em fazer com que ela continue nesse mundo ao qual não faz parte, cercada por tudo que poder ser considerado fatal para. Está machucando-a e maltratando-a ter que omitir, não quer mais tempo. Seu erro foi ter acreditado e se iludido. Agora morrerá cada dia mais.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Esse nó que volta a trancar minha gargante e dificultar minha respiração, não quero voltar para aqueles mesmos dias sombrios de antes, que fiquei presa por mais de 1 ano. Mais a tristeza é como uma nuvem que tapa toda a claridade que poderia iluminar minha alma, sinto vontade de chorar, sinto vontade de... NÃO! Essa pessoa não sou eu, não poderia ser eu. Sempre soube que ninguém poderia me amar, nem eu mesma poderia, já tinha me conformado com essa ideia. Até meus sorrisos se tornam sem vida e tristes, sensação de déjà-vu, agonia, medo, dor... Já senti isso antes, sei o que vem depois disso, sei muito bem.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Você sente isso? Sente isso com todo o seu ser? Ninguém poderá falar por você dessa vez, apenas me diga se sente algo, se sente algo por mim. Preciso seguir em frente, querida, e estou cansada de esperar você inventar mais alguma de suas mentiras mirabolantes para me manter por perto. Brincadeiras não mais, não espero mais isso de você, quero que você sinta tanto quanto eu, daí sim poderemos dizer que somos um só ser perdido nesse mundo estranho e lunático. Sabes que cansarás rápido de tudo isso que você tenta esconder, mas mesmo assim, não é motivo para me deixar aqui a sua espera, não sou tola para esperar por algo perdido.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Estava sentada no chão, pensando em ajuntar seus pedaços e tentar colá-los. Não conseguia transformar isso em ação, sentia-se incapacitada, envolvida por uma onda melancólica que fazia a força gravitacional atuar fortemente sobre ela, não deixando levantar-se do chão imundo. Chão onde muitas pessoas já pisaram e com certeza sofreram também. Garota linda, cabelos castanhos avermelhado, brilhavam contra o sol, resplandecia seu brilho, olhos de boneca, azuis, grandes, pele macia, rosada, cheia de vida. Embora por fora aparentava ter uma vivacidade inabalável e única, por dentro era sensível, tão frágil como cristal, fácil de se magoar e difícil de se contentar. Risonha, nem sempre. Por mais que a dor tomava cada fibra de seu corpo, não demonstrava isso para as pessoas ao seu redor, não queria ser questionada, não sabia as respostas. Sempre volta aqui, onde a cada dia que passa, tenta colar um pedaço seu que deixou cair por todos esse longos anos. Anos de guerra e paz, onde o amor não tem lugar.

domingo, 3 de julho de 2011

Acordei hoje com uma certeza, certeza de uma coisa que eu sei que eu sou. Ao colocar os pés no chão, soube que ali se iniciaria uma batalha contra todos os opositores, mas não contra mim mesma.
Poderia ser detalhista e contar minuciosamente tudo que aconteceu na minha manhã, mas acho que isso não agradaria muita quem irá ler isso. Prefiro falar de como minha mente juntou as peças do quebra-cabeça. Depois que eu parei de mentir para mim mesmo, dizendo que minha frieza me dominava a todo o momento, e que meus sentimentos não tinham espaço para respirar, parece que consigo enxergar mais claramente o que se passa na bagunça de meus pensamentos. Nas pequenas ocasiões onde eu realmente sentia algo forte, ali me foquei para começar a avaliação, e depois de um grande debate com meu eu mentirosa, soube o que eu realmente era, passando por cima de todas as mentiras, e agora que sei disso, não irá demorar muito para vocês saberem disso também.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Há alguém batendo na porta, alguém querendo entrar. Mas eu quero continuar aqui, deitada nessa cama quente e aconchegante, nesse quarto escuro. Não, não deixe a luz entrar, quebraria o momento. A sua respiração se torna tão quente, ao meio de todo esse frio, não quero que desperte agora, é tão agonizante saber que você pode abrir seus olhos, levantar-se de sobressalto, e sair por aquela porta, deixando-me na dúvida se irá voltar ou não. Esperarei esse estranho do lado de fora, desistir de entrar, e ir embora, ou se tocará que és tão impertinente quanto uma Ópera em um restaurante humilde? Torço para que ele não a acorde e a ponha em movimento, que a levará para longe de meus braços. Não quero que você vá para longe de mim, mas sei que não conseguirei manter você perto o bastante para acabar com meu sofrimento, e elevar meu amor. Se meu medo fosse tão insignificante, que eu pudesse amassá-lo como a uma bola de papel, e jogá-lo no fundo do mar, junto com os meus demônios, creio que você ficaria comigo tempo suficiente para que minha dor cessasse, e eu pudesse respirar tranquilamente. Não estaria te usando para acabar com a minha dor, estaria implorando para que você me usasse, e desse um fim digno, que eu sei que nós merecemos. 

Acordei hoje com aquele vontade louca de ter algum corpo quente deitado ao meu lado, coisa insana, desregulada, mas incontrolável. Seu rosto em meu sonho acendeu a última brasa que restava de meu amor, e reacendeu toda a chama novamente. Mas agora não era apenas você  e eu, havia uma terceira pessoa ali, dentro de você. Você não era apenas você, era um comum de dois. Não, não era uma alma dividida em duas, eram duas almas dentro de um corpo. É claro que se minha dúvida sumisse, você voltaria a ser você, ou se transformaria nela. Se realmente isso não fosse algo platônico, se eu não reproduzisse todo um romance em minha cabeça, que você nem imagina que aconteça, seria só eu e você. Olhares tortos, insinuantes, não seriam capazes de me afetar se você andasse ao meu lado, acabando com qualquer fraqueza que eu poderia ter. Mas isso-eu e você- sempre vai ficar no "se", porque um "se" nunca vai ser um "é".

domingo, 26 de junho de 2011

E esse passageiro sombrio que lentamente toma conta do meu ser, não sei por quanto tempo vou conseguir ficar sem senti-lo, cada vez mais perto, até que eu grite e esperneie o repelindo. Sei que meu tempo no controle é curto, e que ele logo assumira todos os meus sentidos, agora mais do que nunca, não fugirei mais dele, deixarei seu manto cobrir minha alma anulando cada sentimento que dali poderá provir-já não eram muitos. Ele era apenas um inquilino de meu ser, agora se tornou o morador, o governante de minha alma. Não sentia mais nada a tempos, e agora pelo menos terei uma desculpa para isso, o passageiro sombrio. Doía omiti-lo, algumas vezes fugia das celas que eu construí para prendê-lo. Ocultava-se nas sombras de meu desespero, sabia que eu não resistiria por muito tempo, e tinha razão, eu quero o seu poder, tome conta de mim, e em troca deixo você  no controle eternamente.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Como mais um monte de palavras jogadas fora, vou me embora, me sentindo esgotada. Será um longo caminho como sempre, quando chegar sei que irei esperar por lágrimas que não chegam, nunca chegam. Meu peito está oco, sinto uma sensação estranha, tristeza talvez, sei que lágrimas acabariam com tudo isso, mas não consigo fazer com que brotem de meus olhos. Costumava ser fácil, fácil como respirar, mas agora dói muito, uma dor incessante, que começa de um lugar onde deveria ter um coração batendo, e termina em algum lugar, pelo menos acho que termina-porque em um determinado ponto sinto-me anestesiada. Como em toda prosa clichê, chegamos a um ponto onde começamos a falar de sentimentos, eu não sei o que falar, porque sentimentos não são verdadeiros, são abstratos, passageiros, e servem para atrasar nosso tempo de vida útil. Aquela pessoa cuja qual eu deixei-me levar por esses tais sentimentos, já não me causa nada, talvez um pouco de raiva e nojo, por me fazer sentir quando eu não deveria estar sentindo. Atrasou minha vida, perturbou meus sonhos, e quando finalmente me esqueço dela, ela volta para me mostrar que está viva, mas querida, já me despedi de você, lembra? Então não deveria estar falando de você no presente, mas sim no passado, não, nem ao menos eu deveria estar falando de você, mas como não estou em sã consciência - porque você me virou do avesso- resolvi trazer os fantasmas do passado para a luz. Mas que fique claro, estou apenas recordando, não estou voltando para você.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Meu lugar

Não sei como, mas eu senti, senti algo muito forte, algo que esmagava meu peito e dificultava minha respiração. Sei que não sou daqui, mas sinto como se minha alma dependesse dessa adrenalina e loucura desse lugar. A tanto tempo não me sentia tão bem, tão confortável, que é difícil até de descrever isso, sem conseguir sentir tudo de novo. Agora sei porque foi aqui que tudo começou, aqui que a história realmente aconteceu, e é aqui que eu quero fazer algo acontecer. Me fundi com essa cidade, agora meu espírito precisa estar lá para se sentir completo novamente, deixei meu coração lá, deixei tudo que havia dentro de mim lá -coisas que eu nem imaginei que ainda restassem dentro de mim- quero viver aqui. Porto Alegre é o meu lugar, é o meu lar, aqui que meu sofrimento acaba, aqui que todas as dores tem cura. Faço parte daquela loucura, aquilo tudo sou eu.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Darkside Of The Moon

Oh, é linda, realmente linda, nada de superficial, nada de tão sobrenatural. Perfeita, ouvi alguém dizendo, desejada por muitos, cortejada por todos, amada pelos filósofos, iluminadora e salvadora no meio da escuridão. Mas o que ninguém sabe, o que ninguém viu, é que ela esconde sua verdadeira natureza, põe as suas garras para fora, e o puxa para seu lado escuro. Já não iluminará mais, uma vez dentro, ninguém mais sai. Esconde sua maldade, sua persuasão, deveria ser chamada de assassina, por ser a causadora de muitos suicídios, poderia ser chamada de Senhora Morte. Mata quem a ama de loucura e de desejo, chega ser palpável o desespero de quem a corteja, enfeitiça mais do que qualquer feiticeira graduada. Chama todos para observá-la no seu palco de beleza, joga a isca, e cobre todos que foram fisgados com seu manto negro. Causadora do mal, poderia ser a própria Rainha do Inferno. Por enquanto, será apenas admirada pelos olhos perspicazes de alguns, e esperará sua próxima vítima.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

E todas as palavras jogadas ao vento, a sua procura? Elas se perderam no vazio que tudo isso se transformou, aliás, na maior parte do tempo, isso sempre foi um vazio, em um certo ponto teve suas histórias, mas depois se tornou vazio novamente. Sei que disse que não teria despedidas, mas acho que lhe devo ao menos isso, não é clichê, não é plágio, é apenas a pura verdade, ditas em palavras que espero serem compreendidas por você. Prometo que isso não se prolongará, é só um pedido de desculpas, por talvez, talvez, eu ter atrasado sua vida, e construído barreiras entre você e ela, compreendo agora que devo ajudá-la a ser feliz, esse será meu pedido de desculpas, derrubarei as barreiras construídas e darei passagem a você até ela. O meu adeus, será um simples adeus, não direi que foi bom os momentos em que tivemos curtas conversas, porque isso me perturba até hoje, mas sim direi só adeus, é só isso que posso dizer, quando ao menos você nem saiba disso, nem se deu conta. Adeus.

domingo, 12 de junho de 2011

Bem, eu esperei que você viesse, esperei algum sinal de vida vinda de você, esperava que me chama-se. Nada, o que eu tive foi nada, a única coisa que recebi de você foi nada. Agora, sinto esse gosto de derrota na minha boca, precipitando-se da minha garganta até a ponta de minha língua. Eu costumava te amar, agora sim, finalmente descobri, eu te amava, amava mais do que podia, mais do que deveria. Meu coração estava em chamas, atingia uma temperatura febril, ah... Como é bom falar disso abertamente, eu te amava, te amava, só sabia te amar. Sei bem aonde estava entrando, no jogo perigoso que me meti, mas mesmo assim, só o fato de pensar em te sentir inteiramente, me reconfortava. Te amava, sei disso pois agora dói, agora meu amor se transformo em um enorme buraco negro e frio, que suga toda vida e amor existentes em mim para dentro dele. Sem lágrimas, sem arrependimentos, deixarei você, porque foi você que me deixou antes, foi você que me abandonou antes, me deixou vazia. Sei que parece óbvio eu falar isso agora, até um pouco infantil, mas já não te amo mais, porém não tenho vergonha alguma de dizer que te amei. Não quero que isso acabe com lágrimas minhas e suas se misturando mutuamente, não quero um adeus, não quero nada disso. Alguns sentimentos tem de morrer para abrir lugar para outros, sei que não sentirei mais nada, mas a dor me conforta, a agonia me conforta, minha tristeza, meu desapontamento, minha melancolia, isso irá me alimentar por algum tempo, espero que suficiente, pois não suportarei outra queda grotesca, como essa. Agora mais do que nunca, me sinto ótima, por ter tido a coragem de te dizer, embora indiretamente, e sem clareza, o quanto você significo para mim, e digo significo muito, foi a primeira vez que amei alguém, que tive vontade de ter alguém ao meu lado, pena que não tive a oportunidade de satisfazer essa minha vontade insana, pelo menos eu acho insana. Não acabou só para mim e para você, é além disso, acabou tudo para mim, todos meus sentimentos que ameaçaram vir á tona, agora estão acabados, não fui só eu que perdi, eles também perderam. Meu amor, espero que você veja isso algum dia, e espero que já não seja tarde demais, pois separei e guardei seguramente, um pouco da minha esperança ainda, sei que todas essas palavras não foram claras o suficiente, não como eu queria que tivessem sido, mas basta, tudo na minha vida ficou subentendido, menos você, deixo você para trás, com tudo isso, com toda essa loucura, declaro-me livre novamente.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

E lá ia ela, passava por todo mundo com um ar superior, jogava seu cabelo escuro para os lados, caminhava de um jeito exclusivo dela. Parecia que não se importava com ninguém, talvez não se importasse mesmo, ou talvez ela só queria que os outros acreditassem nisso. Conversava e ria com as amigas, mas sempre ficava com um pouco de tristeza dentro de si, não queria ter certeza de quem era, tinha medo. Se retraía de uma maneira a não deixar ninguém alcançá-la. Sua vida sempre fora misteriosa para os que a rodeavam, não sentia vontade de mostrar sua crueldade, assim, crua. Um ar frio exalava de seu corpo, e de sua alma,  congelava quem se aproximasse dela, nunca gostou de muita aproximação. Assim vive ela, rindo e conversando, mas nunca confessando e relatando.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

"Write from the heart
Write from your soul
Make the best of your talent
and don't  ever let it go
not for anything"

sábado, 4 de junho de 2011

"You were my conscious, so silent now you're like water
And we started drowning, not like we'd sink any farther.
But I let my heart go, it's somewhere down the bottom.            
But I'll get a new one, come back from the hope that you've stolen."

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Lá estava ela deitada na cama, revirava-se, mas a essa altura o sono já tinha se ido. Virou-se para o lado onde havia algo concreto, algo que respirava. Era a pessoa a quem ela chamava de "meu marido", mas que ela não conseguia se comunicar com palavras, ela se sentia unida a ele só quando seus corpos estavam próximos. Lentamente subia nela o desejo de tocar aquele corpo branco e lindo, que em parte, era dela. Quando estava quase o tocando, refreou-se, enquanto seu desejo de tocá-lo crescia, emergia das sombras de sua alma o medo. Medo de que ao seu toque ele abrisse os olhos, se fizesse isso, seus olhares se cruzariam, ela não queria isso, ela não queria que ele captasse a linha de seus pensamentos. Ele poderia assustar-se e fugir dela, embora ela não o amasse, ela não o desejasse com o corpo, sentia falta de algo para chamar de "meu". E ele era dela, e ela nunca seria dele. No silêncio daquele quarto sem energia, sem movimento e sem vida, ela não quis mais tocá-lo, temia que a vida, e a energia voltasse aquele aposento, como uma máquina ao ser ligada.

domingo, 22 de maio de 2011

Costumava ser fria, não sentir medo de nada, não sentir nada por ninguém, não ser domada por sentimentos tolos, embora ainda ache todos eles desnecessários, não posso simplesmente mentir, e dizer que não sinto nada por você. Mas o que? Sinto o que? Amor? Acho que não, espero que não. Você tirou me do meu mundo, me fez enxergar tudo de um novo ângulo, de um modo velho, real. Gosto disso, mas tenho dúvidas sobre o "gostar", tenho dúvidas sobre tudo ao seu respeito. Não gosto da sensação da incerteza, não gosto da sensação que você deixa me sentindo. Sentindo? Não tenho certeza sobre isso também, nunca senti, nunca vivi, apenas estive, apenas fiquei, apenas permaneci. E é assim, é assim que eu espero que isso termine, comigo estando, comigo ficando, comigo permanecendo, e não vivendo, não sentindo, apenas estando.
Costumava ser fria, não sentir medo de nada, não sentir nada por ninguém, não ser domada por sentimentos tolos, embora ainda ache todos eles desnecessários, não posso simplesmente mentir, e dizer que não sinto nada por você. Mas o que? Sinto o que? Amor? Acho que não, espero que não. Você tirou me do meu mundo, me fez enxergar tudo de um novo ângulo, de um modo velho, real. Gosto disso, mas tenho dúvidas sobre o "gostar", tenho dúvidas sobre tudo ao seu respeito. Não gosto da sensação da incerteza, não gosto da sensação que você deixa me sentindo. Sentindo? Não tenho certeza sobre isso também, nunca senti, nunca vivi, apenas estive, apenas fiquei, apenas permaneci. E é assim, é assim que eu espero que isso termine, comigo estando, comigo ficando, comigo permanecendo, e não vivendo, não sentindo, apenas estando.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Ela se agarrou aquilo como se sua vida dependesse disso. Ela gritou por aquilo como se sua alma estivesse faminta. Correu, correu para longe. Sentiu o vento passar pelos seus cabelos escuros, sentiu-se livre por um momento. Mas daí veio a realidade, caiu brutalmente sobre sua consciência. Já não sentia mais, já não gritava mais, virou medíocre. Diante de toda a sua mediocridade, já não dependia mais, sua fome passou, foi como um câncer, se espalhou rapidamente pelo seu organismo. Quando foi embora, levou tudo que ainda restava dentro dela, deixando um vazio em seu lugar, um vazio que não poderá ser preenchido jamais.

sábado, 14 de maio de 2011

Eu desapontei você não foi? Terei de conviver com essa nova dor agora. Esse vazio que toma conta de mim, esse buraco negro que me possui. Ele irá te abandonar se você não cuidar dele, quem é ele? Seus sentimentos, seu amor, isso que você tenta encobrir, tenta enterrar. Não fuja, porque eu não estou fugindo de você. Você diz que quer ter-me ao seu lado, o que está esperando? Eis me aqui, eis me aqui esperando você se curar de sua cegueira, e me enxergar bem na sua frente. Não sei por quanto tempo isso irá durar, creio que nada é eterno, tudo passa, tudo passa como uma leve brisa no verão. Se quiser me achar, ache-me logo, porque querida, sentimentos são temporários, pelo menos para mim.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Sentia o vento úmido na minha face, mas não desviava. Seguirei meu caminho em linha reta, sempre em linha reta. Mas havia algo mais nesse vento, algo quase palpável, algo que brincava com meus cabelos, e fazia-me corar. Até parecia que ela havia mandado seu espírito para me atazanar. Seria ela capaz de tal atrocidade? Temo dizer que sim, mesmo sem saber, mesmo errando de endereço. Repassarei o espírito dela? Não, ele é meu agora por direito. Se não posso tê-la ao meu lado, terei seu espírito comigo. Não sofro por isso, ao menos sinto, sobre isso. Amo ela? Não, apenas gosto de mais.

domingo, 1 de maio de 2011

Não sei o que pensar disso, não sei o que escrever sobre isso, nem ao menos consigo sentir sobre isso. Não quero vê-la presa as minhas feridas, não quero que ela pense que pode expelir meus medos. Mas ao mesmo tempo que penso sobre isso, vejo que "nós", poderia realmente existir, eu não sei se a amo, mas sei que ao menos eu tentaria sentir por ela algo parecido com o amor. Seria egoísmo da minha parte, deixar que ela se prenda a algo, feio e leproso, como eu, afinal de contas, a sua beleza não tem comparação. Sei que devia, mas ainda não sinto amor por ela, e sim, sinto que preciso dela, sinto que gosto dela mais do que devia. Mesmo com amor ou sem, eu tentaria fazer o possível para deixa-lá contente e ver o seu lindo sorriso.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Queria poder dizer o quanto a amo, o quanto me faria feliz se apenas dissesse sim. Se apenas me desse um sinal, dissesse uma palavra, juro que lutaria por você até o fim. Lutaria pelo direito de ter cada parte de seu lindo corpo, pressionado ao meu. Essa chama que consome cada fibra de meu corpo, que queima até meus ossos, que incendeia meu coração - e o faz lembrar que tem que bater. Esse desejo desesperador que nunca -nunca mesmo- ninguém conseguiu me fazer sentir. Esse desejo de que você seja minha - apenas minha- faz minha loucura aumentar. Essa sensação estranha que você me faz sentir; é como se eu existisse apenas porque você existe. É realmente desesperador saber que você talvez nunca saberá disso, nem desconfia que eu a amo, não é? Por favor, enxergue o óbvio, e me diga, me diga apenas, sim. Me tire dessa loucura antes que seja tarde demais. Sim, diga apenas, sim.
E eu sonhava em tê-la nos meus braços, e eu sonhava em ter seus lábios colado aos meus, e eu sonhava com seu lindo sorriso, para mim - apenas para mim. Sinto que durante todo esse tempo ela nunca esteve só, nunca me restou dúvidas quanto a isso. Eu não estive lá quando você precisava, agora você faz o mesmo comigo, para me mostrar como dói, não é? Por que me fez vir até aqui, para agora me fazer rastejar? Dói, apenas dói. E agora eu sei disso.
E eu continuava sonhando, em ter seus lindos cabelos escuros em meus dedos; de ser a única a prender seu olhar; ser a única em seu coração gélido; a única em seus sonhos.

domingo, 17 de abril de 2011

Do you like cookies?

Essa receita é feitas em duas etapas apenas.
Etapa 1: Me pegue, coloque-me deitada de costas em cima da mesa. Não precisa lavar as mãos - não há necessidade. Pegue o bisturi. Faça um corte na horizontal, um pouco acima de meu seio esquerdo- o corte tem de ser profundo. Enfie a mão corte a dentro, você sentirá um líquido gelado correr pela sua mão- não recue. Você está indo bem até aí? Suponhamos que a resposta seja sim. Continue enfiando a mão mais fundo, quando o nó de seus dedos atingirem algo duro, áspero e frio, você saberá que foi bem até aí. Bom, feche sua mão em volta dessa coisa dura e fria, e a arranque dali. Conseguiu? Se sim, a etapa um foi concluída. Obs: não é preciso fechar o corte, deixe aberto. 

Etapa 2: Lave isso que você retirou de mim, abundantemente. Leve ao microondas, e deixe descongelar por 5 minutos. Se não tiver microondas, aqueça em banho-maria por 15 minutos. Se mesmo assim não descongelar, guarde em seu freezer e espere por alguns anos, depois tente novamente ou jogue-o fora- não aceito devoluções.

O gosto é um pouco amargo e ruim, então se quiser colocar chantilly em cima ou gotas de chocolate, amenizará o amargo. Sugiro comer isso com uma xícara de café bem amargo, ou se preferir coma-o com chocolate quente. Consumir logo, se não estraga ou congela de novo.



sexta-feira, 15 de abril de 2011

Sinto meu corpo pesado, meus pensamentos desorientados. Estou perdendo a linha que me segue, estou abaixando a cabeça para os que me servem. Minha cabeça pende para um lado, meu corpo para outro. A vida continua sendo sugada de meu corpo, minha língua está amortecida, não consigo mexer meu maxilar para falar. Veja aonde eu cheguei querido leitor, ao fundo do poço. Dependo de remédios para tudo, para dormir, para comer, para acordar, para minha depressão...E continuo a perder os sentidos cada vez mais, meu olhos ficam embaçados, meu coração bate mais lento, minha respiração fica superficial, nem consigo abrir a boca nesse momento. A sensação? É péssima, é como se estivessem arrancando-me um pedaço de meu corpo e de minha alma, mergulho nesse mar escuro e me deixo levar pelas ondas, estou afundando, agora eu sei como o Titanic se sentiu quando bateu no iceberg e afundou por completo. Nesse momento paro de escrever, meu corpo pesa, meus dedos não querem mais receber meus comandos e meus olhos se negam a permanecerem abertos.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

A respiração está curta e lenta. Não enxergo nada- a luz está apagada- prefiro assim. Penso em como foi meu dia e reflito sobre o comportamento das pessoas ao me redor. Será que algum dia vou conseguir achar meu lugar no meio delas? Provável que não. Não me enxergo no meio deles, não me imagino com um sorriso falso no rosto, e com palavras sempre prontas para agradar qualquer um. Puxo a cortina e olho além do vidro da janela, enxergo telhados e mais telhados. Enxergo um céu lindo, imagino se lá em cima anjos me esperam. Ok, estou sonhando com algo que não existe. Desisto te sonhar, com os olhos abertos limpo minha mente de pensamentos desnecessários.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Olhei para a agulha e tive vontade de correr. Não sei o porque disso, tantas vezes já senti a agulha perfurar minhas veias, por quê o medo agora? Aquele tremor começava nas pontas dos meus pés, e ganhava mais força quando se chocava com a frieza do músculo involuntário -que se localiza na parte esquerda do meu peito. Eu olhava aquele corredor com paredes brancas e portas azuis, aquelas pessoas de jaleco branco, caminhando de lá para cá e vice e versa. Aquelas pessoas debilitadas e enfermas gemendo, chorando e implorando por ajuda- elas não eram tão diferentes de mim. Enfim, ouvi alguém chamar meu nome, entrei naquela sala com paredes brancas- aquele lugar inteiro tinha paredes brancas- me sentei na cadeira azul, puxei a manga de meu moletom, e esperei. Depois de tantos cortes e picadas, ainda sentia aquela ansiedade, aquele tremor, de ver aquela agulha pressionando aos poucos minha pele, e alcançando minha veia por fim.
Na volta para casa, caminhei olhando para baixo, analisando cada trecho da rua suja. Aquele cheiro de nicotina com urina, se impregnava dentro de minhas narinas- cidade imunda. Como de rotina, parei em um beco, senti a comida pesando em meu estômago, sabia o que vinha por frente. Fechei os olhos, e deixei meu estômago fazer o resto.

sábado, 9 de abril de 2011

E ela olha para a figura pálida no espelho, é a última tentativa. Aos poucos se lembra como foi sua jornada até aquele momento, analisa cada minuto que passou minuciosamente. Nenhuma saudade ou arrependimento do que passou. E todos aqueles sorrisos forçados, que a machucavam como uma adaga, e todos aqueles ferimentos feitos para tentar matar o que tinha por dentro. Agora tudo virou cinza. Se aproxima do espelho, dá mais uma olhada naquela coisa pálida, com aparência repugnante. Lentamente levanta o revólver, e o coloca no céu da boca. Mais um momento de reflexão. Sem esperanças, puxa o gatilho. E os pedaços do crânio daquilo que um dia foi Elizabeth, agora estão espalhados pelo chão do quarto.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Razão de Ser

Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
e as estrelas lá no céu
lembram letras no papel,
quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?
                  Paulo Leminski
Ela debate-se, tenta se libertar dos fios, mas é quase impossível para ela cortá- los de uma vez. Sua aflição aumenta a cada minuto que passa, ela sente que está a ponto de se dar por vencida, mas até essa hora chegar ela tenta fugir, correr para bem longe dos fios que a prendem aquilo. Os fios estão a puxando para baixo, ela grita por socorre mas ninguém a ouve, os fios a machucam, seu corpo está todo ensanguentado e cheio de arranhões. Finalmente ela consegue se desprender de um dos fios, mas sua esperança é derrubada rapidamente, pois os fios a levaram para baixo, dando- se por vencida fecha os olhos, e espera a escuridão chegar.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Hoje fui surpreendida por minha lágrimas, me tornei tão insensível que pensei que elas nunca mais fossem tornar a molhar minha face. Tamanha surpresa me agradou ,de fato, mas ainda sinto que elas só caem superficialmente. A sensação que essas lágrimas me trouxeram, não foi de tristeza, mas sim- arrisco-me a dizer- de felicidade , felicidade por saber que bem lá no fundo, ainda existe um pouco de vida, ela simplesmente precisa ser cultivada, por alguém que não será eu- é claro. Rogo para que alguém ouça meus chamados incessantes e venha cuidar de mim, para que assim a vida seja trazida de volta para meu corpo debilitado. Enquanto essa alguém não chega, continuo na expectativa da lágrimas novas voltarem a cair, para eu poder sentir mais uma vez, essa pontada de esperança que traz com ela um sorriso em minha face.
Procuro por algo,
não necessariamente alguém, 
por vários motivos me calo.
Não enxergo ninguém,
nem sei mais porque falo. 
São apenas palavras jogadas ao vento,
elas pairam pelo ar
Não me julgues pois eu tento,
mas estou cansada de vagar. 
Vagar a procura de algo para lutar, 
mas minha melancolia, não me deixa continuar.
Então tento soprar para bem longe, minha dores
finalizo isso com flores
Que no final farão companhia,
para mim e minha alma vazia.

terça-feira, 29 de março de 2011

Queria poder ser só eu e a solidão. Minha capacidade de machucar as pessoas é incompreensível até por mim mesma. Concluo então, que seria mais fácil para todos se minha existência insignificante, fosse reduzida a apenas eu e a solidão. A solidão é mal compreendida por todos, porque muitos poucos tem a capacidade de suporta-lá, e torna-lá agradável em seus dias. Sinto-me lisonjeada pelo fato de ser escolhida pela solidão para ser sua casa e refugio, a presença dela se tornou tão digna de minha pessoa, que a dor que essa deveria causar-me, não me afeta mais, os punhais cravados nas minhas costas são suportáveis. Defendo minha amiga solidão da melhor maneira que consigo, pois o que seria de mim sem ela? Quando ela resolve me deixar por cerca de poucos segundos, fico inquieta aguardando sua volta. A voz dela é tão apreciada por mim, como a voz do silêncio que também é adorado por minha pessoa. Minha grande amiga solidão, conseguiu esse posto, ao conseguir o feito de abrir meus olhos para a falsidade e ignorância existentes nesse mundo, onde não espera ficar por muito tempo, pois me sinto esgotada de tudo e de todos.

sábado, 26 de março de 2011

Passageiro Sombrio

Eu só sei que existe algo sombrio em mim.
E eu escondo.
E certamente não falo sobre.
Mas está lá, sempre.

Esse passageiro sombrio.
Quando ele está dirigindo eu me sinto vivo.
Meio mal de ter essa sensação de estar totalmente errado.

Não luto contra eles, não quero.
É tudo que tenho.
Nada mais poderia me amar,
Nem eu mesmo.

Ou é só uma mentira que o passageiro da escuridão me conta?
Pois existem momentos ultimamente em que me sinto...
Conectado a algo mais, alguém.

É como se a máscara caísse.
E coisas, pessoas, que nunca tiveram a mínima importância...
Passam a ter.
Isso me assusta muito.

Essas coisas me fazem parecer humano,
Nunca achei que poderia me ver humano um dia.
Talvez este dia esteja mais próximo que eu mesmo imagino. 

sábado, 19 de março de 2011

Se meus olhos mostrassem meu interior, todo mundo choraria ao ver meu sorriso. Chorariam pois teriam pena de minha existência, sentiriam afeto por mim, algo que eu não desejaria receber delas.Pediria a elas que me ignorassem por completo, uma pessoa como eu não mereceria nada que esse mundo pudesse dispor. Não sinto remorso algum das coisas que fiz, só me arrependo das que não fiz. Meu futuro não passará de meros anos vazios, sem esperança, ao qual nem sei se terei um. A lâmina me mostra hoje, que o fim se aproxima e eu cairei sobre as minhas próprias mãos, secas e frias.

domingo, 13 de março de 2011

Me desligue, se achar que é capaz. Me ame, se acha que vai ficar. Me despreze se resolver mudar. Me tenha, se assim desejar. Me beije, se no fundo me amar. Cuspa-me fora, assim que cansar. Me ignore, quando amor lhe faltar. Me odeie, ao me enganar. Sinta-se bem, quando eu te idolatrar. Dê-me redenção,quando eu te tocar. Quando eu precisar de fôlego, seja meu ar. Sinta minha dor, quando mal me tratar.Raiva sentirei. se comigo brincar. Me mande embora, assim que acabar. Me mate, para a situação melhorar.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Mais um dia de espera, já me sinto cansada de tanto esperar. Parece que foi ontem, a lembrança vaga que passa em minha mente repetidas vezes. Ainda consigo sentir sua pele na minha, seu lábio úmido na minha bochecha, seu beijo caloroso- capaz de aquecer até uma alma fria como a minha- seus olhos gentis prendendo meu olhar, o jeito como meu coração pulsava com o seu toque,o seu sorriso, capaz de me acalmar no meu pior dia. Seu jeito desengonçado- mas suave-de caminhar em minha direção. Seu braços-não muito fortes- me abraçando, seu cabelo escuro em contraste com sua pele branca. Mas isso não passa de mais um delírio meu- mais um de muitos- esperarei, esperarei pacientemente tudo se tornar real.