sexta-feira, 27 de maio de 2011

Lá estava ela deitada na cama, revirava-se, mas a essa altura o sono já tinha se ido. Virou-se para o lado onde havia algo concreto, algo que respirava. Era a pessoa a quem ela chamava de "meu marido", mas que ela não conseguia se comunicar com palavras, ela se sentia unida a ele só quando seus corpos estavam próximos. Lentamente subia nela o desejo de tocar aquele corpo branco e lindo, que em parte, era dela. Quando estava quase o tocando, refreou-se, enquanto seu desejo de tocá-lo crescia, emergia das sombras de sua alma o medo. Medo de que ao seu toque ele abrisse os olhos, se fizesse isso, seus olhares se cruzariam, ela não queria isso, ela não queria que ele captasse a linha de seus pensamentos. Ele poderia assustar-se e fugir dela, embora ela não o amasse, ela não o desejasse com o corpo, sentia falta de algo para chamar de "meu". E ele era dela, e ela nunca seria dele. No silêncio daquele quarto sem energia, sem movimento e sem vida, ela não quis mais tocá-lo, temia que a vida, e a energia voltasse aquele aposento, como uma máquina ao ser ligada.

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