sábado, 18 de fevereiro de 2012

Sinto uma falta tremenda das noites em que me encontrava em sua presença reconfortante e sua voz melodiosa a dizer coisas tolas para mim. Quando eu passava a noite inteira acordada só para poder ouvir o som da sua respiração e poder tocar sua pele macia de leve. Sinto falta de quando éramos nós e não apenas eu, quando encenávamos cenas famosas de Hollywood sem nos preocuparmos com mais nada. De quando a vida era mais fácil e as brigas menos frequentes, sinto falta de seu jeito desajeitado de arrumar suas coisas e desorganizar as minhas, sua xícara de café suja em cima do criado mudo sempre me deixava louca, e hoje em dia aquele mesmo criado mudo vazio me causa um grande aperto no peito e uma necessidade imensa de choro descontrolado. Sinto falta de quando você se emocionava assistindo aqueles seus filmes estranhos que no fim eu acabei gostando também. Tenho imensa saudade das vezes que você andava quase sem roupas pela casa a procura do controle remoto e depois fazia parecer que a culpa não era sua dele ter sumido. Tenho saudades de sua coleção de copos do Starbucks e de seu vício compulsivo por cafeina do qual eu também me orgulho em dizer que tenho. Meus ouvidos sentem saudades daquelas suas músicas calmas que amenizavam o mau humor de qualquer um, e do jeito que você cantava e dançava junto com a melodia fazendo qualquer um ter inveja de sua desenvoltura. Sinto falta das noites de inverno conversando com você e tomando chá quente, do modo em que você se enrolava toda em seu cobertor nas noites frias em frente a televisão.Sinto falta de seu cabelo, de seus olhos, de sua boca, do seu perfume, de sua pele, do seu corpo, da sua voz, de sua respiração e sinto uma dor alucinante, um aperto, um buraco enorme em meu peito, um vazio imensurável em mim, pois sinto muito mais falta de uma coisa que eu nunca fiz, uma coisa que poderia ter mudado tudo e que hoje digo as 4 paredes da prisão de meu quarto a toda hora, eu amo você.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Fadas

Não tropeço mais em palavras e nem perco meus pensamentos num mar de letras. As pedrinhas nas ruas foram todas chutadas para longe de meus pés, o pó de café acabou e meu sangue sofre carência de cafeína. As músicas lindas se tornaram ecos bem longe de meus ouvidos, e as sombras foram embora de mim e como esperado deixaram apenas a carcaça pronta para urubus de sentimentos tomarem conta. Consigo ainda tirar alguns dias de férias do nada, e ir para um campo de meus pensamentos onde vivem fadas que adoram pôr letras dentro de minha cabeça em ordem aleatória, que por algum motivo sempre acabam tendo um sentido. As fadas tentam curar as feridas e preencher minha alma de bons sentimentos, e brincam com flores, fazem uma coroa e colocam em meu cabelo fazendo-me sentir como se fosse importante para alguém, como se tudo voltasse a ter sentido. Volto da viagem renovada e pronta para arranjar novas pedrinhas para chutar, mais pó de café e recuperar a música e tempo perdido.