segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Aprisionada
Eu não sei se sou só eu, se é minha imaginação, meu ser ou meu inconsciente. Nem tenho ideia se sou só eu que sinto isso, ou alguém mais sente e pode consentir comigo e me dizer algo, dizer que eu não estou louca, que não é delírio. Eu me sinto aprisionada, sinto que tenho que dar nomes as coisas para que elas passem a existir, sinto que devo dar explicação até do porque de uma simples pedra caindo no chão ou do porque da maldade de Hitler. Não tenho mais forças para controlar essas nuvens negras emergindo de dentro de mim e fechando meu céu, estou aprisionada ao meu delírio e sinto que os dias estão mudando e tenho que fazer algo. estou enlouquecendo e eis de enlouquecer a vós, sinto que tudo está acabando e eu não posso fazer nada. Os dias estão contados, as sombras tomando conta das ruas, os holocaustos acontecendo o mundo se corroendo. E eu não posso correr, não posso fugir, não posso quebrar essas grades. Isso me sufoca, me deixa mal e querendo arranjar algum lugar para fugir das sombras. Elas esmagam, elas preenchem e tomam por isso onde passam, deixam as ruínas onde zumbis governam. E o que vejo muito hoje em dia são zumbis, zumbis de terno e cuidando tendo famílias, zumbis para todos os lados, jogando futebol e ensinando em escolas. Estou aprisionada a tudo isso, e sei que cedo ou tarde eu também virarei uma zumbi.
sábado, 7 de janeiro de 2012
E me esperava no lugar de sempre com aquele sorriso diabólico no rosto, sorriso malicioso de quem sabe o que está fazendo. Me aproximei aos poucos para não assustar aquela criatura que aterroriza minha mente noite e dia, e que me tira o sono com aquele rosto de anjo caído. Aquela beleza sobrenatural que me faz delirar, me aproximei e sentei ao seu lado, o seu sorriso cessou, peguei a sua mão mas ela puxou-a de mim, abaixei minha cabeça pois recebi aquilo como um tapa no rosto, Ela sempre me surpreendia, e eu não conseguia tirar meus olhos dela, nossas vidas nunca seguiriam em frente separadas, pelo menos a minha não, e acho que ela sabia disso, por isso sorria com aquele jeito diabólico, como para me mostrar que estava tudo bem, que no final das contas tudo ficaria bem. Mas é claro, com seu café gelado esfriando em casa, e seu cigarro aceso caindo entre seus dedos, ela fingia que estava tudo bem, mas um sorriso pode esconder tudo de mais errado nele, tudo de mais triste. Parecia que eu era o único a me desesperar, a entrar em pânico com o rompimento, ela pôs minha mão no meio das duas mãos pequenas dela, disse-me que não me amava mais, e eu morri com aquilo. Queria ser enterrado, não sobreviveria em um mundo sem ela, eis que meu mundo era ela e sem meu mundo eu não era nada, eu morreria rapidamente. Respirei fundo, e soltei pesadamente o ar, e minha vida ia se acabando com cada respiração, tudo estava desmoronando e eu assistia a tudo, assistia a ela se levantar, apagar seu cigarro no canto do banco da praça, pôr seu óculos escuro antigo e me deixar ali em completo desolamento.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Olhamos para dentro de nós mesmo e recordamos tudo que passou, vemos onde erramos e com os dedos cruzados prometemos que tudo será diferente nesse novo ano. Nunca é diferente, sempre os mesmos rostos, os mesmos vícios, a mesma desilusão. Mas a esperança cisma em aparecer e traz um pouco de alegria, e comemoramos o novo ano como se nossas vidas fossem ser trocados e iremos ter uma nova chance de lutar por tudo que não lutamos em toda nossa vida. Não muda nada, passa as festividades e voltamos para nossa vida medíocre, para as noites sem dormir, para os amores perdidos, para os maços de cigarros e as bebidas. E a velhice vem chegando, mesmo que não por fora, mas por dentro. Os rancores vão brotando, as dores aumentando, e o coração enfraquecendo. O que nos resta é brindarmos pela infelicidade e pelas angústias, pela mediocridade e por tudo que não deu certo. Brindemos pela esperança que chega tão rápido quanto se vai, e pelos carinhos que nem chegam a bater em nossa porta. Então façamos planos para que não tardem a falhar, gastemos nossas vozes para a garganta secar. Para não fugir do contexto, farei tudo como manda a tradição,e prometo que irei me enganar o máximo possível para assim a queda ser maior.
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