sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Ele estava parado do outro lado da rua, com sua postura desleixado e os braços cruzados a frente do corpo. Estávamos a alguns metros de distância, eu o olhava atentamente, via que ele olhava em minha direção, só não sabia se seu olhar estava vazio ou estava de encontro ao meu. Seus lindos olhos verdes em minha direção, a barba mal feita e o cabelo bagunçado, agora eu sabia que ele estava me olhando pois acenava feliz, isso fez com que meu coração batesse mais forte, e um suspiro saiu de meus lábios. Levantei a mão e acenei lentamente, como que com medo de que seus olhos olhassem em outra direção que não fosse a minha. Não iria me aproximar dele, parecia uma criatura divinamente intocável, mas que por ventura eu tive o pecado de tocar, e sentir sua pele em contato com a minha e seu hálito no meu rosto, me deixando tonta. Lembrava de como ele se aproximava de mim, falava com a voz suave e tocava de leve no meu braço, fazendo movimentos circulares em minha pele, para me dar arrepios e assim chamar minha atenção. Agora ele estava parado do outro lado da rua, e eu não conseguia fazer com que minhas pernas caminhassem até ele, desejava tanto abraçá-lo forte, e sentir seu hálito em meu rosto, mas não me atreveria a chegar mais perto agora, não enquanto a magia estava acontecendo.Entrei no primeiro ônibus que passava, e quando fui me sentar em um assento, olhei para ele ainda lá, estava me olhando com um sorrisinho, acenou para mim, e isso ficou na minha cabeça até esse momento.

sábado, 2 de junho de 2012

Acordei com o vento frio da manhã soprando em meus ouvidos, não lembrava que havia deixado a janela aberta, não lembrava nem mesmo de ter pego no sono. Estava triste, deprimida, presa em sua foto, presa em você, não querendo fechar os olhos pois tudo iria morrer ali. Queria te encontrar, queria sair descalça no asfalto gélido, dizer para você não me deixar ir, não deixar que o sentimento acabe, porque se eu ir embora, se eu me desprender de você, me desprendo do mundo. Se tudo acabar nessa noite, os sentimentos acabam, transbordam, evaporam. E o que será de mim sem você? Se a única coisa que faz com que eu me sinta viva é meu amor por você, a única coisa que importa é você. Não me deixe ir para longe, peça para que eu fique aqui, não me deixe ir embora, o mundo irá me perder, você irá me perder tanto quanto eu perderei você. Lembre-se eu dei minha vida a você, sem devolução, se eu ir, não irei sobreviver. Não me perca, ou eu me perderei também.

domingo, 27 de maio de 2012

Com um sentimento corroído, a paixão de lado e umas garrafas na bolsa, ela sai em busca do infinito, sai em busca do errado, do seu certo. Com seu coração em pedaços, sua esperança jogada no inferno, procura por algo que nem ela mesma sabe, algo que complete, algo que cure, ou que destrua tudo de uma vez para abrir espaço a algo novo. Deixe crescer essa imensidão dentro de você, que com uma tragada como em um cigarro poder chegar logo ao fim.  As ruas são geladas, o ar que bate em sua cara e arrasta seus cabelos para trás é cortante, seus batimentos cardíacos por pouco não ecoam no ar, o silêncio é absoluto fora, dentro seus pensamentos gritam, suas lembranças são tiros vindos em seus olhos, um gole da garrafa é pouco, engole mais. Caminha, tropeça, ergue a cabeça e segue, a vida segue o sofrimento paralelo. Pegue essa bola de neve e faça com que ela derreta, ou guarde na geladeira, longe de você. Não adianta, essa pessoa nunca vai te dar a reciprocidade de te amar, desista, anda pelas ruas perdida então de uma vez, hora de se entregar. 

segunda-feira, 5 de março de 2012

Entrei sem a menor pressa dentro de casa, larguei as chaves em qualquer lugar ainda no escuro -amanhã demoraria para encontrá-las com certeza- caminhei em direção do sofá ainda no escuro e me deite nele, esperando ouvir seus passos pela casa, ou o som de sua respiração abafada no quarto ao lado. Mas nada disso aconteceu, e um enorme aperto no meu peito foi esmagando-o e transformando-o em um enorme buraco negro. Dói muito nas noites sozinhas nessa prisão de concreto, dói mais ainda sem um abraço forte para juntar todos meus pedaços. E quando você decidiu ir embora, um pedaço meu foi com você, na verdade acho que grande parte de mim foi com você, e eu acabei ficando com a parte sem graça, sem nada. Agora não posso matar esse sentimento sem me matar também, não posso correr atrás de você porque tenho medo de não aguentar chegar ao fim. E sei que sem você minha angústia nunca chegará ao fim, então tento engolir a seco esse sentimento quando chega a ponta de minha língua, tomo um copo de vodka e ouço o único disco seu que restou nessa casa. Imagino-a dançando alegremente no meia dessa sala mal iluminada, cheia de esperanças nos olhos e planos futuros, e a dor quase me mata. Na maioria dos dias pego no sono ouvindo o disco repetidas vezes imaginando você sentada na minha frente com seu rosto perto do meu, acariciando meu cabelo fazendo com que eu durma, hoje não consegui chegar a esse estado de extasie e obriguei meus pés a se moverem e me levaram até a cama que a muito não é usada, assim, sonhando em dormir mais do que qualquer pessoa desejaria conseguir.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Sinto uma falta tremenda das noites em que me encontrava em sua presença reconfortante e sua voz melodiosa a dizer coisas tolas para mim. Quando eu passava a noite inteira acordada só para poder ouvir o som da sua respiração e poder tocar sua pele macia de leve. Sinto falta de quando éramos nós e não apenas eu, quando encenávamos cenas famosas de Hollywood sem nos preocuparmos com mais nada. De quando a vida era mais fácil e as brigas menos frequentes, sinto falta de seu jeito desajeitado de arrumar suas coisas e desorganizar as minhas, sua xícara de café suja em cima do criado mudo sempre me deixava louca, e hoje em dia aquele mesmo criado mudo vazio me causa um grande aperto no peito e uma necessidade imensa de choro descontrolado. Sinto falta de quando você se emocionava assistindo aqueles seus filmes estranhos que no fim eu acabei gostando também. Tenho imensa saudade das vezes que você andava quase sem roupas pela casa a procura do controle remoto e depois fazia parecer que a culpa não era sua dele ter sumido. Tenho saudades de sua coleção de copos do Starbucks e de seu vício compulsivo por cafeina do qual eu também me orgulho em dizer que tenho. Meus ouvidos sentem saudades daquelas suas músicas calmas que amenizavam o mau humor de qualquer um, e do jeito que você cantava e dançava junto com a melodia fazendo qualquer um ter inveja de sua desenvoltura. Sinto falta das noites de inverno conversando com você e tomando chá quente, do modo em que você se enrolava toda em seu cobertor nas noites frias em frente a televisão.Sinto falta de seu cabelo, de seus olhos, de sua boca, do seu perfume, de sua pele, do seu corpo, da sua voz, de sua respiração e sinto uma dor alucinante, um aperto, um buraco enorme em meu peito, um vazio imensurável em mim, pois sinto muito mais falta de uma coisa que eu nunca fiz, uma coisa que poderia ter mudado tudo e que hoje digo as 4 paredes da prisão de meu quarto a toda hora, eu amo você.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Fadas

Não tropeço mais em palavras e nem perco meus pensamentos num mar de letras. As pedrinhas nas ruas foram todas chutadas para longe de meus pés, o pó de café acabou e meu sangue sofre carência de cafeína. As músicas lindas se tornaram ecos bem longe de meus ouvidos, e as sombras foram embora de mim e como esperado deixaram apenas a carcaça pronta para urubus de sentimentos tomarem conta. Consigo ainda tirar alguns dias de férias do nada, e ir para um campo de meus pensamentos onde vivem fadas que adoram pôr letras dentro de minha cabeça em ordem aleatória, que por algum motivo sempre acabam tendo um sentido. As fadas tentam curar as feridas e preencher minha alma de bons sentimentos, e brincam com flores, fazem uma coroa e colocam em meu cabelo fazendo-me sentir como se fosse importante para alguém, como se tudo voltasse a ter sentido. Volto da viagem renovada e pronta para arranjar novas pedrinhas para chutar, mais pó de café e recuperar a música e tempo perdido. 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Aprisionada

Eu não sei se sou só eu, se é minha imaginação, meu ser ou meu inconsciente. Nem tenho ideia se sou só eu que sinto isso, ou alguém mais sente e pode consentir comigo e me dizer algo, dizer que eu não estou louca, que não é delírio. Eu me sinto aprisionada, sinto que tenho que dar nomes as coisas para que elas passem a existir, sinto que devo dar explicação até do porque de uma simples pedra caindo no chão ou do porque da maldade de Hitler. Não tenho mais forças para controlar essas nuvens negras emergindo de dentro de mim e fechando meu céu, estou aprisionada ao meu delírio e sinto que os dias estão mudando e tenho que fazer algo. estou enlouquecendo e eis de enlouquecer a vós, sinto que tudo está acabando e eu não posso fazer nada. Os dias estão contados, as sombras tomando conta das ruas, os holocaustos acontecendo o mundo se corroendo. E eu não posso correr, não posso fugir, não posso quebrar essas grades. Isso me sufoca, me deixa mal e querendo arranjar algum lugar para fugir das sombras. Elas esmagam, elas preenchem e tomam por isso onde passam, deixam as ruínas onde zumbis governam. E o que vejo muito hoje em dia são zumbis, zumbis de terno e cuidando tendo famílias, zumbis para todos os lados, jogando futebol e ensinando em escolas. Estou aprisionada a tudo isso, e sei que cedo ou tarde eu também virarei uma zumbi.

sábado, 7 de janeiro de 2012

E me esperava no lugar de sempre com aquele sorriso diabólico no rosto, sorriso malicioso de quem sabe o que está fazendo. Me aproximei aos poucos para não assustar aquela criatura que aterroriza minha mente noite e dia, e que me tira o sono com aquele rosto de anjo caído. Aquela beleza sobrenatural que me faz delirar, me aproximei e sentei ao seu lado, o seu sorriso cessou, peguei a sua mão mas ela puxou-a de mim, abaixei minha cabeça pois recebi aquilo como um tapa no rosto, Ela sempre me surpreendia, e eu não conseguia tirar meus olhos dela, nossas vidas nunca seguiriam em frente separadas, pelo menos a minha não, e acho que ela sabia disso, por isso sorria com aquele jeito diabólico, como para me mostrar que estava tudo bem, que no final das contas tudo ficaria bem. Mas é claro, com seu café gelado esfriando em casa, e seu cigarro aceso caindo entre seus dedos, ela fingia que estava tudo bem, mas um sorriso pode esconder tudo de mais errado nele, tudo de mais triste. Parecia que eu era o único a me desesperar, a entrar em pânico com o rompimento, ela pôs minha mão no meio das duas mãos pequenas dela, disse-me que não me amava mais, e eu morri com aquilo. Queria ser enterrado, não sobreviveria em um mundo sem ela, eis que meu mundo era ela e sem meu mundo eu não era nada, eu morreria rapidamente. Respirei fundo, e soltei pesadamente o ar, e minha vida ia se acabando com cada respiração, tudo estava desmoronando e eu assistia a tudo, assistia a ela se levantar, apagar seu cigarro no canto do banco da praça, pôr seu óculos escuro antigo e me deixar ali em completo desolamento.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Olhamos para dentro de nós mesmo e recordamos tudo que passou, vemos onde erramos e com os dedos cruzados prometemos que tudo será diferente nesse novo ano. Nunca é diferente, sempre os mesmos rostos, os mesmos vícios, a mesma desilusão. Mas a esperança cisma em aparecer e traz um pouco de alegria, e comemoramos o novo ano como se nossas vidas fossem ser trocados e iremos ter uma nova chance de lutar por tudo que não lutamos em toda nossa vida. Não muda nada, passa as festividades e voltamos para nossa vida medíocre, para as noites sem dormir, para os amores perdidos, para os maços de cigarros e as bebidas. E a velhice vem chegando, mesmo que não por fora, mas por dentro. Os rancores vão brotando, as dores aumentando, e o coração enfraquecendo. O que nos resta é brindarmos pela infelicidade e pelas angústias, pela mediocridade e por tudo que não deu certo. Brindemos pela esperança que chega tão rápido quanto se vai, e pelos carinhos que nem chegam a bater em nossa porta. Então façamos planos para que não tardem a falhar, gastemos nossas vozes para a garganta secar. Para não fugir do contexto, farei tudo como manda a tradição,e prometo que irei me enganar o máximo possível para assim a queda ser maior.