segunda-feira, 5 de março de 2012
Entrei sem a menor pressa dentro de casa, larguei as chaves em qualquer lugar ainda no escuro -amanhã demoraria para encontrá-las com certeza- caminhei em direção do sofá ainda no escuro e me deite nele, esperando ouvir seus passos pela casa, ou o som de sua respiração abafada no quarto ao lado. Mas nada disso aconteceu, e um enorme aperto no meu peito foi esmagando-o e transformando-o em um enorme buraco negro. Dói muito nas noites sozinhas nessa prisão de concreto, dói mais ainda sem um abraço forte para juntar todos meus pedaços. E quando você decidiu ir embora, um pedaço meu foi com você, na verdade acho que grande parte de mim foi com você, e eu acabei ficando com a parte sem graça, sem nada. Agora não posso matar esse sentimento sem me matar também, não posso correr atrás de você porque tenho medo de não aguentar chegar ao fim. E sei que sem você minha angústia nunca chegará ao fim, então tento engolir a seco esse sentimento quando chega a ponta de minha língua, tomo um copo de vodka e ouço o único disco seu que restou nessa casa. Imagino-a dançando alegremente no meia dessa sala mal iluminada, cheia de esperanças nos olhos e planos futuros, e a dor quase me mata. Na maioria dos dias pego no sono ouvindo o disco repetidas vezes imaginando você sentada na minha frente com seu rosto perto do meu, acariciando meu cabelo fazendo com que eu durma, hoje não consegui chegar a esse estado de extasie e obriguei meus pés a se moverem e me levaram até a cama que a muito não é usada, assim, sonhando em dormir mais do que qualquer pessoa desejaria conseguir.
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