sábado, 15 de outubro de 2011
Olha ela ali, passando na rua, como se não houvesse mais nada que pudesse fazer. Ela que era cercada pelo amor, por esse mesmo amor que a machucou tantas vezes, que a afugentou, que a trancou na escuridão de seus muros, que arrancou-lhe lágrimas dos olhos sem pestanejar. E agora esse amor expulsou-lhe de seu refúgio de um modo petulante, meio assim, arrogante. E a faz permanecer perambulando por essas ruas sujas e longas, onde se perde facilmente, e abandona qualquer um que tente lhe estender a mão, ou tente lhe dar um coração. Ela queria dizer a ele como sente sua falta, e como queria ter o seu amor, já que o dela lhe abandonou. Queria contar que parou de fumar, já que ele reclamara do seu hábito ser horrendo e por vezes nojento, parou de viver dias de meia-fase, e viajar por mundos imaginários que causavam nele tanto medo dela, por ela parecer por vezes pirada. Ela sente falta desse amor que lhe abandonou como ele fez, assim como sente falta de seu hálito quente em seu rosto a acordando de manhã, e de seus braços pálidos e finos cercando-a quando o encontrava, e da maneira como ele estreitava seus braços ao redor dela cada vez que dizia coisas lindas em seu ouvido. Esse amor lhe causou muitos medos, muitas incertezas, muitas crises, inúmeros machucados, lágrimas escorrendo por seu rosto, mas também lhe causou tanta alegria, tanto bem assim como tanto mal, e agora simplesmente a mandou vadiar por essas ruas sem fim, onde não tem certeza se está ou se quer estar -ou não quer estar- onde se sente presa, sufocada, sem vida.
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