segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Eu me via sozinha, via que meu café iria esfriar antes mesmo de você chegar. Me perdia em cada palavra escrita no jornal, via notícias sem dar importância para nenhuma delas, no ponto em que cheguei para mim tudo fazia parte de um quebra-cabeça daqueles que você perde uma peça, e irá ficar sempre incompleto. No fundo eu sempre soube que andaria pelas ruas chutando pedrinhas, fumando meu cigarro como se a fumaça que preenchia o ar acima de minha cabeça fosse levar com ela todo meu sofrimento e todas as lembranças que me restaram de você. Faz parte de meu passado, mas não participará de meu futuro incerto que me assusta de tal modo, que me vejo presa ao presente e a todas as feridas e cicatrizes que nunca deixaram minha pele limpa. Jogo tinta preta em um determinado ponto de minhas lembranças e as deixo borradas, dificultando a visibilidade de qualquer um que as tente ler. Vítimas do tempo deixamos tudo atrapalhar nossas vidas, deixamos uma simples chuva se tornar uma grande tempestade sem procurarmos abrigo. Agora, ando com as mãos nos bolsos, um cigarro na boca, e uma grande dor no peito escondendo um coração partido, que sobreviveu a grandes paradas e dificultou várias vezes meus pulmões de fazerem o trabalho deles. Suas lágrimas seguem frescas em minha memória e petrificadas em meu coração, e seu adeus ecoa em meus ouvidos me matando aos poucos.
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