sábado, 10 de setembro de 2011

Com o coração preso em minha garganta, batendo rapidamente à medida que me aproximo da mesa. Da mesa em que nos sentamos e trocamos confidências, sem mesmo nos conhecer-mos direito. Lembro-me que você pediu um cappuccino, dizendo que era o mesmo de sempre, eu para te acompanhar, pedi o mesmo. Observava cada movimento seu minuciosamente, ansiava para que não fosse o último. Alguma coisa me dizia que eu nunca mais veria você, que então de fato, tinha de pegar em sua mão e dizer que aquele momento representava algo. Mas representava o quê? Se nem ao menos pedi seu nome, fiquei perdida em cada gole de café que você tomava, cada gole nos deixava perto do final, e ia me matando junto. Contei-lhe todo meu cotidiano e via passar por seu rosto diversas expressões, não era só eu que não queria que tudo acabasse, você também, pois tomava seu café lentamente. Era engraçado o modo como você fechava seus dedos longos e finos em volta da xícara, e a levava a boca, brincando com o vapor que saia. Até hoje não entendo como você conseguiu arrancar todas aquelas verdades de mim, sem ao menos pedir por tais. O café esfriava, e o fim se aproximava. Eu não queria voltar para minha vida calada, para aquelas ruas sujas, voltar para meu apartamento desorganizado, e ter de fumar maços e maços de cigarro e tomar qualquer bebida forte, para me fazer esquecer da realidade e me levar para qualquer outro lugar, voltar a ler aqueles jornais da semana passada, rindo daquelas charges sem graça, e me perdendo em notícias das quais não queria dar a mínima importância. O café esfriou, você diz que não há mais motivo para ficar ali tentando engolir aquilo que lhe causava repugna, levantou-se com um leve aceno de cabeça virou-se e foi embora, me deixando até hoje sem notícias suas e sem um nome para acalmar esse aperto em meu peito.

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