Olhei para a agulha e tive vontade de correr. Não sei o porque disso, tantas vezes já senti a agulha perfurar minhas veias, por quê o medo agora? Aquele tremor começava nas pontas dos meus pés, e ganhava mais força quando se chocava com a frieza do músculo involuntário -que se localiza na parte esquerda do meu peito. Eu olhava aquele corredor com paredes brancas e portas azuis, aquelas pessoas de jaleco branco, caminhando de lá para cá e vice e versa. Aquelas pessoas debilitadas e enfermas gemendo, chorando e implorando por ajuda- elas não eram tão diferentes de mim. Enfim, ouvi alguém chamar meu nome, entrei naquela sala com paredes brancas- aquele lugar inteiro tinha paredes brancas- me sentei na cadeira azul, puxei a manga de meu moletom, e esperei. Depois de tantos cortes e picadas, ainda sentia aquela ansiedade, aquele tremor, de ver aquela agulha pressionando aos poucos minha pele, e alcançando minha veia por fim.
Na volta para casa, caminhei olhando para baixo, analisando cada trecho da rua suja. Aquele cheiro de nicotina com urina, se impregnava dentro de minhas narinas- cidade imunda. Como de rotina, parei em um beco, senti a comida pesando em meu estômago, sabia o que vinha por frente. Fechei os olhos, e deixei meu estômago fazer o resto.
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