domingo, 13 de novembro de 2011

Então, sento-me em minha cadeira como já é de costume, com minha xícara de café em mãos, em minhas mãos trêmulas, como voltaram a ser costumeiras. Pego a xícara com a mão esquerda, e ouço pingos caindo dentro de meu café, um líquido vermelho, denso. Sinto um cheiro de ferrugem e sal, vindo do meu café, aquela substância escorrendo do meu braço, se fundiu a meu café preto, fervendo. E agora não sei mais o que estou bebendo, se é café, o líquido vermelho, angústia, solidão, medo, lágrimas. Acho que no fim estou bebendo tudo isso, e sentindo isso dentro de mim, e engasgando com isso. E no final sei que tudo isso irá se resumir em um nó na garganta, que não irá embora de jeito algum, que não vai abrir espaço para o ar passar, que acabará me matando como eles planejaram. Por favor, alguém me tire desse mundo horrendo, onde as pessoas morrem, onde as pessoas vivem, onde as pessoas mentem, onde as pessoas não sabem amar. E elas me deixam louca, e elas tiram o resto da sanidade que sobrou em mim, e elas querem me ver para baixo, e elas querem que eu resista, e eu não quero resistir, não quero me expor, quero passar despercebida por tudo, quero paz, quero sossego, quero a desolação, mas o que eu mais quero é me ver fora de tudo isso. Porque vocês são feios, porque vocês me acham feia, e porque vocês são falsos um com os outros, e porque vocês não sentem mais, e me forçam a não sentir também. Me sinto louca, quero dar o fora daqui, e vou dar o fora daqui.

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