quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Sempre me deixo cair nesse mar de acontecimentos repentinos, ambíguos e sedentários. Vivo em meu mundo imaginário, onde vivo como quero, e além disso vivo se quero, a ilusão é minha escolha, meus pensamentos voam como folhas de papel, quando jogadas contra o ventilador, estraçalhadas me fazendo sentir cada dor. Reviro-me do avesso, procuro soluções e a única coisa que vejo ainda fresco na estrada, são seus passos. Seu passos que me perseguem, que  me deixam marcas, que não me deixam fugir. Poderia esquecer de você, nadar contra esse mar, tornar meus sentimentos nômades. Mas você sempre volta, e o vento sempre acaba trazendo suas palavras de chegada e arrependimento, e você volta para remontar seu passos nessa estrada. Você pode ter esquentado meu coração mas deixou minha alma fria como a mais gélida noite de inverno, deixou meus olhos cegos, minha boca muda e meus ouvidos surdos. Perdi os sentidos, a sanidade e meu amor por você está se indo também. Está se esvaindo, assim como uma torneira aberta deixando a água passar mansamente, deixando meus pensamentos se diluírem nessa água, dando de encontro ao mar que me encontro afogada.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Quando você perde alguém que não pode substituir, e esse alguém e você. Eu me perdi, eu me perdi nas páginas dos livros que leio, me perdi em cada cena preto e branco dos filmes que assisto, me perdi em cada canção que saia de minha boca e do pequeno rádio em cima de minha cômoda. Me perdi em cada gole de café que tomava tentando esquecer dos problemas, e afogar o desespero e a agonia de mais um dia de escuridão. Me perdi em cada noite que não conseguia pregar os olhos, em cada noite que sentia medo do escuro por imaginar que poderia me perder nele, por cada fobia que sentia de criaturas fictícias de minha cabeça, me perdi pelo medo que sentia de mim mesma, e do que estava me tornando. Me perdi em cada palavra que rabiscava no papel, por cada linha que tentava desenhar em  minha cabeça para tentar me separar em algum ponto. Me perdi em cada tentativa de suicídio fracassada, que me deixava mais dores do que alívios. Me perdi em cada frustração, em cada gota de agonia despejada no meu rio de desesperos. Me perdi nesse vale negro de meus pensamentos, me perdi em cada corte em minha pele, em cada gota de sangue que caia de meus braços. Me perdi em cada olhar vazio na frente do espelho, em cada tentativa de luta contra isso, em cada perda de controle. Me perdi em cada desesperança e desapego. Estou perdida a tanto tempo que não espero que alguém me ache, mas se for me procurar, agora já tem dica de onde me encontrar.

domingo, 13 de novembro de 2011

Então, sento-me em minha cadeira como já é de costume, com minha xícara de café em mãos, em minhas mãos trêmulas, como voltaram a ser costumeiras. Pego a xícara com a mão esquerda, e ouço pingos caindo dentro de meu café, um líquido vermelho, denso. Sinto um cheiro de ferrugem e sal, vindo do meu café, aquela substância escorrendo do meu braço, se fundiu a meu café preto, fervendo. E agora não sei mais o que estou bebendo, se é café, o líquido vermelho, angústia, solidão, medo, lágrimas. Acho que no fim estou bebendo tudo isso, e sentindo isso dentro de mim, e engasgando com isso. E no final sei que tudo isso irá se resumir em um nó na garganta, que não irá embora de jeito algum, que não vai abrir espaço para o ar passar, que acabará me matando como eles planejaram. Por favor, alguém me tire desse mundo horrendo, onde as pessoas morrem, onde as pessoas vivem, onde as pessoas mentem, onde as pessoas não sabem amar. E elas me deixam louca, e elas tiram o resto da sanidade que sobrou em mim, e elas querem me ver para baixo, e elas querem que eu resista, e eu não quero resistir, não quero me expor, quero passar despercebida por tudo, quero paz, quero sossego, quero a desolação, mas o que eu mais quero é me ver fora de tudo isso. Porque vocês são feios, porque vocês me acham feia, e porque vocês são falsos um com os outros, e porque vocês não sentem mais, e me forçam a não sentir também. Me sinto louca, quero dar o fora daqui, e vou dar o fora daqui.

sábado, 12 de novembro de 2011

Esperança, por que você insiste em desperdiçar tudo que tem nisso, que nem ao menos você consegue sentir, consegue acreditar? Não há necessidade de se jogar nesse breu de falsas ilusões, minha pequena, não se esqueça de que ainda há muito caminho a ser andado. Portanto, trate de por seus pés no chão, a cabeça, faça o que quiser com ela, já que deixa ela com os astros, vagando e pedindo mais nesse universo imenso, e escuro. Não tenhas pressa, mas não se atrase, ainda tenho dificuldades em suportar seus atrasos, sempre chegas de última hora, assim, como uma chuva de verão, que se acaba sem deixar rastro algum. Ainda consigo sentir você na ponta de meus dedos, sinto seu olhar atrás de minha nuca, e por mais que estejas longe de mim, sinto seu cheiro ao meu redor. Mas esperança? Trate de se deserdar e deixar outra coisa tomar o seu lugar, não sugue o resto das forças que ainda restaram em ti, lembre-se de que ainda me procuras. Não se apresse, pequena, vejo como você tropeça de tal maneira, que mal consegue parar em pé, assim como pretendes chegar até mim, se a única coisa que tens é essa tal esperança? Se pensas que é a única coisa de que sinto imensa falta, saibas que sinto imensa falta é de você, e God, desejo -meu coração- que você chegue logo e me encontre, porque sua falta está me matando, e dor de amor não mata, mas as cicatrizes são inevitáveis, pequena.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Desde então amarro meus pedaços e os arrasto floresta adentro. Os guardo em um lugar pouco seguro, o suor escorre de meu rosto, pequenos arranhões marcam meus braços e tentam esconder marcas do meu passado. Pego um pequeno elástico para prender meus cabelos em um coque mau ajustado no auto de minha cabeça, e passo a mão em minha testa, que com certeza deve ter ficado suja de terra. Escolhi essa floresta para jogar meus pedaços pois aqui não é nem quente nem frio, o vento sopra de leve, fazendo os pelos da nuca arrepiarem, e os ruídos são ouvidos de longe. Aqui é um ótimo lugar para começar de novo, no silêncio, na natureza, longe de tudo e de todos. Tudo volta para onde pertence, e no fim cada coisa se torna inteira novamente, com algumas rachaduras, funcionam com menor desempenho do que antes, sinto muito menos, mas mesmo assim posso sentir que estou inteira. Respiro com mais tranquilidade, o ar é mais puro aqui, o movimento é longe, posso sentir tudo fazendo sentido novamente. Me ajoelho no chão de terra batida e sujo meus jeans, estou feliz por sentir o chão sobre meus pés novamente e as peças se encaixando em minha cabeça confusa.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

E quando eu me perco de mim mesma, e procuro você nas minhas mais frescas lembranças, fico feliz ao não me deparar com um vazio irremissível. Me deixo vagar por minhas memórias por vezes sombrias, mas quase sempre iluminadas por um lindo sol que transparecia como uma áurea ao redor de sua pele delicadamente branca. E por vezes fico com medo de que você seja realmente um anjo que em um piscar de olhos irá revelar suas asas, e levantará voo ao céu, tapando o sol, me deixando em completo desespero, e na escuridão de um mundo sem você. E seus olhos azuis, serenos, que fazem-me navegar por um mar profundo e aquecido pelo brilho de seu espírito, puro mas perverso. Imagino vários cenários para nós, cenários que como sempre, não fazem sentido algum, e não chegarão a ser algo concreto. A irrelevância de meus pensamentos, dilaceram meu ser de tal forma que hoje encontro-me destroçada, assim como um corpo que foi mutilado, e que teve sua alma roubada por algum ser das profundezas das trevas. A dor que vem à calhar em meus dias tediosos, eu a amo, pois assim sei que essas coisas que eu sinto, e você, não são só fantasia de minha cabeça, não são uma ilusão que minha mente fez para me assombrar. Desejo entrelaçar meus dedos em seu cabelo castanho,  e conversar sobre coisa fúteis com você, mas por hora, apenas sua lembrança fortalece esses sentimentos e aquece meus ossos.

sábado, 22 de outubro de 2011

E o passageiro sombrio volta à bordo, toma o controle da linha mais uma vez. Pegou o trem em movimento, pegou minha alma para si. Desvencilhar-me dele, impossível. Trancafiar ele seria a opção que eu por vez o fiz, mas o soltei por sentir sua falta ou por um momento de fraqueza. E a solidão, tristeza, arrependimento chegam como um vento forte do norte, que mexe com meu interior dando segurança para o monstro se esconder de minhas armadilhas. Sou eu que sou o mártir dessa vez, sou eu que devo levar a culpa, esse tempo todo sempre fui eu querendo jogar a culpa no meu passageiro sombrio. Eu dei liberdade para ele pular no trem em movimento e me jogar para fora dele assumindo o controle completo. Lágrimas de sangue correm por meus braços, minha alma arrumou um lugar para deixar suas lágrimas vermelhas saírem. E eu vou arrumar um lugar para me esconder de mim mesma, não me deixem sozinha comigo mesma.