quarta-feira, 29 de junho de 2011

Há alguém batendo na porta, alguém querendo entrar. Mas eu quero continuar aqui, deitada nessa cama quente e aconchegante, nesse quarto escuro. Não, não deixe a luz entrar, quebraria o momento. A sua respiração se torna tão quente, ao meio de todo esse frio, não quero que desperte agora, é tão agonizante saber que você pode abrir seus olhos, levantar-se de sobressalto, e sair por aquela porta, deixando-me na dúvida se irá voltar ou não. Esperarei esse estranho do lado de fora, desistir de entrar, e ir embora, ou se tocará que és tão impertinente quanto uma Ópera em um restaurante humilde? Torço para que ele não a acorde e a ponha em movimento, que a levará para longe de meus braços. Não quero que você vá para longe de mim, mas sei que não conseguirei manter você perto o bastante para acabar com meu sofrimento, e elevar meu amor. Se meu medo fosse tão insignificante, que eu pudesse amassá-lo como a uma bola de papel, e jogá-lo no fundo do mar, junto com os meus demônios, creio que você ficaria comigo tempo suficiente para que minha dor cessasse, e eu pudesse respirar tranquilamente. Não estaria te usando para acabar com a minha dor, estaria implorando para que você me usasse, e desse um fim digno, que eu sei que nós merecemos. 

Acordei hoje com aquele vontade louca de ter algum corpo quente deitado ao meu lado, coisa insana, desregulada, mas incontrolável. Seu rosto em meu sonho acendeu a última brasa que restava de meu amor, e reacendeu toda a chama novamente. Mas agora não era apenas você  e eu, havia uma terceira pessoa ali, dentro de você. Você não era apenas você, era um comum de dois. Não, não era uma alma dividida em duas, eram duas almas dentro de um corpo. É claro que se minha dúvida sumisse, você voltaria a ser você, ou se transformaria nela. Se realmente isso não fosse algo platônico, se eu não reproduzisse todo um romance em minha cabeça, que você nem imagina que aconteça, seria só eu e você. Olhares tortos, insinuantes, não seriam capazes de me afetar se você andasse ao meu lado, acabando com qualquer fraqueza que eu poderia ter. Mas isso-eu e você- sempre vai ficar no "se", porque um "se" nunca vai ser um "é".

domingo, 26 de junho de 2011

E esse passageiro sombrio que lentamente toma conta do meu ser, não sei por quanto tempo vou conseguir ficar sem senti-lo, cada vez mais perto, até que eu grite e esperneie o repelindo. Sei que meu tempo no controle é curto, e que ele logo assumira todos os meus sentidos, agora mais do que nunca, não fugirei mais dele, deixarei seu manto cobrir minha alma anulando cada sentimento que dali poderá provir-já não eram muitos. Ele era apenas um inquilino de meu ser, agora se tornou o morador, o governante de minha alma. Não sentia mais nada a tempos, e agora pelo menos terei uma desculpa para isso, o passageiro sombrio. Doía omiti-lo, algumas vezes fugia das celas que eu construí para prendê-lo. Ocultava-se nas sombras de meu desespero, sabia que eu não resistiria por muito tempo, e tinha razão, eu quero o seu poder, tome conta de mim, e em troca deixo você  no controle eternamente.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Como mais um monte de palavras jogadas fora, vou me embora, me sentindo esgotada. Será um longo caminho como sempre, quando chegar sei que irei esperar por lágrimas que não chegam, nunca chegam. Meu peito está oco, sinto uma sensação estranha, tristeza talvez, sei que lágrimas acabariam com tudo isso, mas não consigo fazer com que brotem de meus olhos. Costumava ser fácil, fácil como respirar, mas agora dói muito, uma dor incessante, que começa de um lugar onde deveria ter um coração batendo, e termina em algum lugar, pelo menos acho que termina-porque em um determinado ponto sinto-me anestesiada. Como em toda prosa clichê, chegamos a um ponto onde começamos a falar de sentimentos, eu não sei o que falar, porque sentimentos não são verdadeiros, são abstratos, passageiros, e servem para atrasar nosso tempo de vida útil. Aquela pessoa cuja qual eu deixei-me levar por esses tais sentimentos, já não me causa nada, talvez um pouco de raiva e nojo, por me fazer sentir quando eu não deveria estar sentindo. Atrasou minha vida, perturbou meus sonhos, e quando finalmente me esqueço dela, ela volta para me mostrar que está viva, mas querida, já me despedi de você, lembra? Então não deveria estar falando de você no presente, mas sim no passado, não, nem ao menos eu deveria estar falando de você, mas como não estou em sã consciência - porque você me virou do avesso- resolvi trazer os fantasmas do passado para a luz. Mas que fique claro, estou apenas recordando, não estou voltando para você.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Meu lugar

Não sei como, mas eu senti, senti algo muito forte, algo que esmagava meu peito e dificultava minha respiração. Sei que não sou daqui, mas sinto como se minha alma dependesse dessa adrenalina e loucura desse lugar. A tanto tempo não me sentia tão bem, tão confortável, que é difícil até de descrever isso, sem conseguir sentir tudo de novo. Agora sei porque foi aqui que tudo começou, aqui que a história realmente aconteceu, e é aqui que eu quero fazer algo acontecer. Me fundi com essa cidade, agora meu espírito precisa estar lá para se sentir completo novamente, deixei meu coração lá, deixei tudo que havia dentro de mim lá -coisas que eu nem imaginei que ainda restassem dentro de mim- quero viver aqui. Porto Alegre é o meu lugar, é o meu lar, aqui que meu sofrimento acaba, aqui que todas as dores tem cura. Faço parte daquela loucura, aquilo tudo sou eu.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Darkside Of The Moon

Oh, é linda, realmente linda, nada de superficial, nada de tão sobrenatural. Perfeita, ouvi alguém dizendo, desejada por muitos, cortejada por todos, amada pelos filósofos, iluminadora e salvadora no meio da escuridão. Mas o que ninguém sabe, o que ninguém viu, é que ela esconde sua verdadeira natureza, põe as suas garras para fora, e o puxa para seu lado escuro. Já não iluminará mais, uma vez dentro, ninguém mais sai. Esconde sua maldade, sua persuasão, deveria ser chamada de assassina, por ser a causadora de muitos suicídios, poderia ser chamada de Senhora Morte. Mata quem a ama de loucura e de desejo, chega ser palpável o desespero de quem a corteja, enfeitiça mais do que qualquer feiticeira graduada. Chama todos para observá-la no seu palco de beleza, joga a isca, e cobre todos que foram fisgados com seu manto negro. Causadora do mal, poderia ser a própria Rainha do Inferno. Por enquanto, será apenas admirada pelos olhos perspicazes de alguns, e esperará sua próxima vítima.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

E todas as palavras jogadas ao vento, a sua procura? Elas se perderam no vazio que tudo isso se transformou, aliás, na maior parte do tempo, isso sempre foi um vazio, em um certo ponto teve suas histórias, mas depois se tornou vazio novamente. Sei que disse que não teria despedidas, mas acho que lhe devo ao menos isso, não é clichê, não é plágio, é apenas a pura verdade, ditas em palavras que espero serem compreendidas por você. Prometo que isso não se prolongará, é só um pedido de desculpas, por talvez, talvez, eu ter atrasado sua vida, e construído barreiras entre você e ela, compreendo agora que devo ajudá-la a ser feliz, esse será meu pedido de desculpas, derrubarei as barreiras construídas e darei passagem a você até ela. O meu adeus, será um simples adeus, não direi que foi bom os momentos em que tivemos curtas conversas, porque isso me perturba até hoje, mas sim direi só adeus, é só isso que posso dizer, quando ao menos você nem saiba disso, nem se deu conta. Adeus.