quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Fadas
Não tropeço mais em palavras e nem perco meus pensamentos num mar de letras. As pedrinhas nas ruas foram todas chutadas para longe de meus pés, o pó de café acabou e meu sangue sofre carência de cafeína. As músicas lindas se tornaram ecos bem longe de meus ouvidos, e as sombras foram embora de mim e como esperado deixaram apenas a carcaça pronta para urubus de sentimentos tomarem conta. Consigo ainda tirar alguns dias de férias do nada, e ir para um campo de meus pensamentos onde vivem fadas que adoram pôr letras dentro de minha cabeça em ordem aleatória, que por algum motivo sempre acabam tendo um sentido. As fadas tentam curar as feridas e preencher minha alma de bons sentimentos, e brincam com flores, fazem uma coroa e colocam em meu cabelo fazendo-me sentir como se fosse importante para alguém, como se tudo voltasse a ter sentido. Volto da viagem renovada e pronta para arranjar novas pedrinhas para chutar, mais pó de café e recuperar a música e tempo perdido.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Aprisionada
Eu não sei se sou só eu, se é minha imaginação, meu ser ou meu inconsciente. Nem tenho ideia se sou só eu que sinto isso, ou alguém mais sente e pode consentir comigo e me dizer algo, dizer que eu não estou louca, que não é delírio. Eu me sinto aprisionada, sinto que tenho que dar nomes as coisas para que elas passem a existir, sinto que devo dar explicação até do porque de uma simples pedra caindo no chão ou do porque da maldade de Hitler. Não tenho mais forças para controlar essas nuvens negras emergindo de dentro de mim e fechando meu céu, estou aprisionada ao meu delírio e sinto que os dias estão mudando e tenho que fazer algo. estou enlouquecendo e eis de enlouquecer a vós, sinto que tudo está acabando e eu não posso fazer nada. Os dias estão contados, as sombras tomando conta das ruas, os holocaustos acontecendo o mundo se corroendo. E eu não posso correr, não posso fugir, não posso quebrar essas grades. Isso me sufoca, me deixa mal e querendo arranjar algum lugar para fugir das sombras. Elas esmagam, elas preenchem e tomam por isso onde passam, deixam as ruínas onde zumbis governam. E o que vejo muito hoje em dia são zumbis, zumbis de terno e cuidando tendo famílias, zumbis para todos os lados, jogando futebol e ensinando em escolas. Estou aprisionada a tudo isso, e sei que cedo ou tarde eu também virarei uma zumbi.
sábado, 7 de janeiro de 2012
E me esperava no lugar de sempre com aquele sorriso diabólico no rosto, sorriso malicioso de quem sabe o que está fazendo. Me aproximei aos poucos para não assustar aquela criatura que aterroriza minha mente noite e dia, e que me tira o sono com aquele rosto de anjo caído. Aquela beleza sobrenatural que me faz delirar, me aproximei e sentei ao seu lado, o seu sorriso cessou, peguei a sua mão mas ela puxou-a de mim, abaixei minha cabeça pois recebi aquilo como um tapa no rosto, Ela sempre me surpreendia, e eu não conseguia tirar meus olhos dela, nossas vidas nunca seguiriam em frente separadas, pelo menos a minha não, e acho que ela sabia disso, por isso sorria com aquele jeito diabólico, como para me mostrar que estava tudo bem, que no final das contas tudo ficaria bem. Mas é claro, com seu café gelado esfriando em casa, e seu cigarro aceso caindo entre seus dedos, ela fingia que estava tudo bem, mas um sorriso pode esconder tudo de mais errado nele, tudo de mais triste. Parecia que eu era o único a me desesperar, a entrar em pânico com o rompimento, ela pôs minha mão no meio das duas mãos pequenas dela, disse-me que não me amava mais, e eu morri com aquilo. Queria ser enterrado, não sobreviveria em um mundo sem ela, eis que meu mundo era ela e sem meu mundo eu não era nada, eu morreria rapidamente. Respirei fundo, e soltei pesadamente o ar, e minha vida ia se acabando com cada respiração, tudo estava desmoronando e eu assistia a tudo, assistia a ela se levantar, apagar seu cigarro no canto do banco da praça, pôr seu óculos escuro antigo e me deixar ali em completo desolamento.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Olhamos para dentro de nós mesmo e recordamos tudo que passou, vemos onde erramos e com os dedos cruzados prometemos que tudo será diferente nesse novo ano. Nunca é diferente, sempre os mesmos rostos, os mesmos vícios, a mesma desilusão. Mas a esperança cisma em aparecer e traz um pouco de alegria, e comemoramos o novo ano como se nossas vidas fossem ser trocados e iremos ter uma nova chance de lutar por tudo que não lutamos em toda nossa vida. Não muda nada, passa as festividades e voltamos para nossa vida medíocre, para as noites sem dormir, para os amores perdidos, para os maços de cigarros e as bebidas. E a velhice vem chegando, mesmo que não por fora, mas por dentro. Os rancores vão brotando, as dores aumentando, e o coração enfraquecendo. O que nos resta é brindarmos pela infelicidade e pelas angústias, pela mediocridade e por tudo que não deu certo. Brindemos pela esperança que chega tão rápido quanto se vai, e pelos carinhos que nem chegam a bater em nossa porta. Então façamos planos para que não tardem a falhar, gastemos nossas vozes para a garganta secar. Para não fugir do contexto, farei tudo como manda a tradição,e prometo que irei me enganar o máximo possível para assim a queda ser maior.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Estou meio desnorteada, em época de Natal sempre fico assim. Possivelmente porque não me enquadro dentro do espírito natalino que tanto as pessoas prezam, não que eu me enquadre em qualquer outro molde que a sociedade capitalista cria. Espírito natalino não era assim um vez, eu nem sempre fui tão desanimada, as pessoas que começaram a tornar feriados capitalistas e eu a me fechar para eles. Natal deveria ser época de trazer paz para o coração, sossego para a mente e amor para as pessoas, sem presentes caros que não venham do coração. A coisa mais bonita que você pode dar a alguém e que não tem preço é o seu coração, pode parecer clichê mas é verdade. Se isso não bastar dê mais os seus pulmões, que daí assim ela terá sua vida e vocês poderão ser um nesse Natal. E se Papai Noel existir poderia por mais humildade no coração das pessoas ou fazer o favor de me levar com ele, assim ele poderia ser meu avô pela eternidade e todos os dias eu acordaria e tomaria meu café com ele, à tarde nos sentaríamos na frente da lareira e ele me contaria suas histórias de velho que eu amaria ouvi-las repetidas vezes, de como ele salvou o Natal sempre, e tomaríamos chocolate quente com cogumelos, e as renas esperariam ele do lado de fora da casa, ele sairia com elas e eu teria certeza que ele não me abandonaria como muitos. Então, não entendo como eles fazem os natais de hoje, só sei que não quero participar disso.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Não sei, sabe? Você sabe quando a gente anda sem saber? Estou meio assim, meio pra lá, querendo ser puxado para cá, encontrar meu eixo novamente. Como sempre tomei meu café, desci os corredores do prédio, um pouco depressa até, isso deve ter estragado tudo. Nunca reparei muito em quem passava ao meu redor,, ando muito ocupado, com café em uma mão e jornal do outro, pastinha embaixo do braço e paletó no antebraço. Difícil prestar atenção em algo que não seja o equilíbrio de tudo isso, e sei que se faltar algo eu me perco todo e tenho que começar tudo novamente. Enfim, achei que estava atrasado e nem notei que minha camiseta estava amassada, desci quase que correndo aqueles degraus e abri a porta que me levaria a um estado que me incomodaria em várias maneiras. Desde que acordei tinha aquela música na cabeça do filme que assisti ontem, Oh, Pretty Woman a música. linda com certeza, mesmo atrasado cantarolava baixinho "Pretty Woman walkin' down the street" e foi quando você passei ouvindo música em seus fones de ouvido rosa, esbarrou em mim e por pouco não levou meu café junto com você. O café seria pouco comparado com o que você levou de mim, levou meu coração para bem longe com você. Pobre ordinário que me tornei, pois você viveu longe 3 meses comigo para me trocar por seus vícios mais importantes que eu, e me deixar amargurado como sempre fazia cada vez que saía e me deixava te esperando até 5 horas da manhã, no sofá da sala com uma coberta apenas nas frias noites de Porto Alegre. Foi melhor você ter ido embora mesmo, assim me deixou vazio de uma vez ao invés de retirar aos poucos o que ainda restava dentro de mim, perversa se foi.
domingo, 4 de dezembro de 2011
- Cassie ainda não cansou de caminhar? - eu disse a ela.
- Não, é que as ruas daqui são tão diferentes das ruas de lá.
Eu já cansado, sentei-me em uma pedra arredondada que estava aglomerada entre as plantas, na beirada da rua. Talvez assim Cassie parasse um pouco, e deixaria de ser egoísta.
- Hey, olhe aqui, rápido. Do que se trata aquilo? - ela me disse rapidamente.
-Deve ser algum pássaro, um grande pássaro, eu acho. - respondi com incerteza.
-Você nunca tem certeza não é?
- Como assim? - respondi meio surpreso.
-Sabe, sobre nós... - ela disse meio que se abraçando, com aquele olhar longe, aquele olhar de lunática que ela sempre tinha - Eu pensei que você tinha deixado de achar... Na verdade acho que eu criei essa ilusão de pensar que você tinha deixado essa indecisão de lado, e tinha decidido viver ao meu lado.
Eu não suportava ver Cassie desse jeito, eu a amava, eu sabia que a amava. Só que eu tinha medo de que ao falar isso a ela, Cassie se assustasse e corresse para longe de mim, me deixando afundado em um mar de tristezas.
-Cassie, já conversamos sobre isso. Eu tenho de ficar e você tende voltar para sua vida... longe de mim. - eu disse contendo tudo que gritava em meu coração, ignorando o nó que vinha em minha garganta e as lágrimas que ameaçavam cair a qualquer momento.
-Você sabe que eu não quero ir para nenhum lugar sem você. Você é tudo o que eu tenho, e se eu for, eu vou ficar sem nada. E eu não quero ficar sem nada, não quero ficar um dia se quer sem nada! - Ela me disse, olhando em meus olhos. Ah, aqueles olhos azuis que é como se perder no mar olhando para eles, às vezes me esqueço que não estamos mais juntos, e tudo que quero é abraçá-la e mandar toda aquela tristeza em seus olhos embora.
-Por favor. Você sabe que é melhor assim, não precisa mudar sua vida por mim. Na verdade eu não quero que você faça isso, porque eu não faria por você. - disse a ela.
Aquilo pareceu ter doído tanto em mim quanto nela. Eu não podia deixa-lá saber que eu a amava mais que tudo se não ela não iria embora. Eu a queria perto de mim, mas sabia que aquilo acabaria com a vida dela, acabaria com tudo que ela já tinha conquistado até ali. Tudo que eu queria era o melhor pra ela, e sabia que naquele momento o melhor não era eu, talvez em outra hora poderia ser, mas não agora com nossas vidas começando e nossas carreiras apenas deslanchando em câmera lenta. Eu me despedaçaria por ela, e era isso que eu estava fazendo.
-Você não pode estar falando sério!? Então tudo que você me disse foi mentira? Você já me beijou e sentiu algo realmente?
Ela chorava, e eu não podia chorar. Ela gritava e eu tinha que aguentar ouvir seu apelo, ouvir ela jogar tudo em minha cara, e ficar fazendo papel de frio, de independente e mesquinho. Mas seria melhor para ela, então deixei tudo isso passar com a certeza que tudo ficaria bem depois.
Cassie foi embora, ela foi embora depois de eu a ter expulsado de minha vida. Até hoje dói, quando olho aquele azul anil, me dói. Penso nela e isso me dói, depois de 3 anos sufoco e choro feito uma criança por sentir a falta dela. Me arrependo muito do que fiz porque o avião onde ela estava caiu, e ela morreu. A culpa foi toda minha, e eu trocaria minha vida pela dela. Deus escute meu apelo, traga ela de volta e me leve em seu lugar, porque o mundo é tão infeliz sem Cassie. A luz do mundo se foi depois que ela nos abandonou, as risadas cessaram, as músicas silenciaram. Minha vida não vale mais nada sem ela, 3 anos se passaram e eu ainda não tenho coragem de ir encontrá-la onde quer que ela esteja.
- Não, é que as ruas daqui são tão diferentes das ruas de lá.
Eu já cansado, sentei-me em uma pedra arredondada que estava aglomerada entre as plantas, na beirada da rua. Talvez assim Cassie parasse um pouco, e deixaria de ser egoísta.
- Hey, olhe aqui, rápido. Do que se trata aquilo? - ela me disse rapidamente.
-Deve ser algum pássaro, um grande pássaro, eu acho. - respondi com incerteza.
-Você nunca tem certeza não é?
- Como assim? - respondi meio surpreso.
-Sabe, sobre nós... - ela disse meio que se abraçando, com aquele olhar longe, aquele olhar de lunática que ela sempre tinha - Eu pensei que você tinha deixado de achar... Na verdade acho que eu criei essa ilusão de pensar que você tinha deixado essa indecisão de lado, e tinha decidido viver ao meu lado.
Eu não suportava ver Cassie desse jeito, eu a amava, eu sabia que a amava. Só que eu tinha medo de que ao falar isso a ela, Cassie se assustasse e corresse para longe de mim, me deixando afundado em um mar de tristezas.
-Cassie, já conversamos sobre isso. Eu tenho de ficar e você tende voltar para sua vida... longe de mim. - eu disse contendo tudo que gritava em meu coração, ignorando o nó que vinha em minha garganta e as lágrimas que ameaçavam cair a qualquer momento.
-Você sabe que eu não quero ir para nenhum lugar sem você. Você é tudo o que eu tenho, e se eu for, eu vou ficar sem nada. E eu não quero ficar sem nada, não quero ficar um dia se quer sem nada! - Ela me disse, olhando em meus olhos. Ah, aqueles olhos azuis que é como se perder no mar olhando para eles, às vezes me esqueço que não estamos mais juntos, e tudo que quero é abraçá-la e mandar toda aquela tristeza em seus olhos embora.
-Por favor. Você sabe que é melhor assim, não precisa mudar sua vida por mim. Na verdade eu não quero que você faça isso, porque eu não faria por você. - disse a ela.
Aquilo pareceu ter doído tanto em mim quanto nela. Eu não podia deixa-lá saber que eu a amava mais que tudo se não ela não iria embora. Eu a queria perto de mim, mas sabia que aquilo acabaria com a vida dela, acabaria com tudo que ela já tinha conquistado até ali. Tudo que eu queria era o melhor pra ela, e sabia que naquele momento o melhor não era eu, talvez em outra hora poderia ser, mas não agora com nossas vidas começando e nossas carreiras apenas deslanchando em câmera lenta. Eu me despedaçaria por ela, e era isso que eu estava fazendo.
-Você não pode estar falando sério!? Então tudo que você me disse foi mentira? Você já me beijou e sentiu algo realmente?
Ela chorava, e eu não podia chorar. Ela gritava e eu tinha que aguentar ouvir seu apelo, ouvir ela jogar tudo em minha cara, e ficar fazendo papel de frio, de independente e mesquinho. Mas seria melhor para ela, então deixei tudo isso passar com a certeza que tudo ficaria bem depois.
Cassie foi embora, ela foi embora depois de eu a ter expulsado de minha vida. Até hoje dói, quando olho aquele azul anil, me dói. Penso nela e isso me dói, depois de 3 anos sufoco e choro feito uma criança por sentir a falta dela. Me arrependo muito do que fiz porque o avião onde ela estava caiu, e ela morreu. A culpa foi toda minha, e eu trocaria minha vida pela dela. Deus escute meu apelo, traga ela de volta e me leve em seu lugar, porque o mundo é tão infeliz sem Cassie. A luz do mundo se foi depois que ela nos abandonou, as risadas cessaram, as músicas silenciaram. Minha vida não vale mais nada sem ela, 3 anos se passaram e eu ainda não tenho coragem de ir encontrá-la onde quer que ela esteja.
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