sexta-feira, 28 de outubro de 2011
E quando eu me perco de mim mesma, e procuro você nas minhas mais frescas lembranças, fico feliz ao não me deparar com um vazio irremissível. Me deixo vagar por minhas memórias por vezes sombrias, mas quase sempre iluminadas por um lindo sol que transparecia como uma áurea ao redor de sua pele delicadamente branca. E por vezes fico com medo de que você seja realmente um anjo que em um piscar de olhos irá revelar suas asas, e levantará voo ao céu, tapando o sol, me deixando em completo desespero, e na escuridão de um mundo sem você. E seus olhos azuis, serenos, que fazem-me navegar por um mar profundo e aquecido pelo brilho de seu espírito, puro mas perverso. Imagino vários cenários para nós, cenários que como sempre, não fazem sentido algum, e não chegarão a ser algo concreto. A irrelevância de meus pensamentos, dilaceram meu ser de tal forma que hoje encontro-me destroçada, assim como um corpo que foi mutilado, e que teve sua alma roubada por algum ser das profundezas das trevas. A dor que vem à calhar em meus dias tediosos, eu a amo, pois assim sei que essas coisas que eu sinto, e você, não são só fantasia de minha cabeça, não são uma ilusão que minha mente fez para me assombrar. Desejo entrelaçar meus dedos em seu cabelo castanho, e conversar sobre coisa fúteis com você, mas por hora, apenas sua lembrança fortalece esses sentimentos e aquece meus ossos.
sábado, 22 de outubro de 2011
E o passageiro sombrio volta à bordo, toma o controle da linha mais uma vez. Pegou o trem em movimento, pegou minha alma para si. Desvencilhar-me dele, impossível. Trancafiar ele seria a opção que eu por vez o fiz, mas o soltei por sentir sua falta ou por um momento de fraqueza. E a solidão, tristeza, arrependimento chegam como um vento forte do norte, que mexe com meu interior dando segurança para o monstro se esconder de minhas armadilhas. Sou eu que sou o mártir dessa vez, sou eu que devo levar a culpa, esse tempo todo sempre fui eu querendo jogar a culpa no meu passageiro sombrio. Eu dei liberdade para ele pular no trem em movimento e me jogar para fora dele assumindo o controle completo. Lágrimas de sangue correm por meus braços, minha alma arrumou um lugar para deixar suas lágrimas vermelhas saírem. E eu vou arrumar um lugar para me esconder de mim mesma, não me deixem sozinha comigo mesma.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Do lado de fora solidão
e dentro dói meu coração
que apesar de todo tranco
e todas desilusões
continua sendo franco
quando bate apenas por ti
bate apenas por você ser feliz
e sabes que isso eu nunca senti
Ah, acho que meu amor está criando raiz
Ele parece não ter fim
Com seu sorriso doce e ameno
Se abrindo para alguém que não seja mim
Me dá uma vontade de provar desse veneno
Que é ver minha alma entristecendo
e sedendo assim,
a solidão que a tanto rodeia a mim.
e dentro dói meu coração
que apesar de todo tranco
e todas desilusões
continua sendo franco
quando bate apenas por ti
bate apenas por você ser feliz
e sabes que isso eu nunca senti
Ah, acho que meu amor está criando raiz
Ele parece não ter fim
Com seu sorriso doce e ameno
Se abrindo para alguém que não seja mim
Me dá uma vontade de provar desse veneno
Que é ver minha alma entristecendo
e sedendo assim,
a solidão que a tanto rodeia a mim.
sábado, 15 de outubro de 2011
Olha ela ali, passando na rua, como se não houvesse mais nada que pudesse fazer. Ela que era cercada pelo amor, por esse mesmo amor que a machucou tantas vezes, que a afugentou, que a trancou na escuridão de seus muros, que arrancou-lhe lágrimas dos olhos sem pestanejar. E agora esse amor expulsou-lhe de seu refúgio de um modo petulante, meio assim, arrogante. E a faz permanecer perambulando por essas ruas sujas e longas, onde se perde facilmente, e abandona qualquer um que tente lhe estender a mão, ou tente lhe dar um coração. Ela queria dizer a ele como sente sua falta, e como queria ter o seu amor, já que o dela lhe abandonou. Queria contar que parou de fumar, já que ele reclamara do seu hábito ser horrendo e por vezes nojento, parou de viver dias de meia-fase, e viajar por mundos imaginários que causavam nele tanto medo dela, por ela parecer por vezes pirada. Ela sente falta desse amor que lhe abandonou como ele fez, assim como sente falta de seu hálito quente em seu rosto a acordando de manhã, e de seus braços pálidos e finos cercando-a quando o encontrava, e da maneira como ele estreitava seus braços ao redor dela cada vez que dizia coisas lindas em seu ouvido. Esse amor lhe causou muitos medos, muitas incertezas, muitas crises, inúmeros machucados, lágrimas escorrendo por seu rosto, mas também lhe causou tanta alegria, tanto bem assim como tanto mal, e agora simplesmente a mandou vadiar por essas ruas sem fim, onde não tem certeza se está ou se quer estar -ou não quer estar- onde se sente presa, sufocada, sem vida.
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
- Vim aqui cedo, pois soube que você iria embora por um longo prazo. Para onde vai? Ouvi falar que você iria para Nova Zelândia, dizem que o clima lá é bom e que as pessoas não são de todo mau. Mas eu tenho algo para lhe falar, algo que tento a alguns meses já. Você andou muito ocupado, e eu não consegui acompanhar seus passos, nem acompanhar a linha de seu raciocínio quando tentava me explicar o porque de nós não termos dado certo. Hey, me mande postais todos os dias, e nunca se esqueça de conferir seu email, é claro que nunca irei esquecer de te ditar tudo que acontece por aqui, se quiser saber, é claro.
Sabe, acho que irei me aproximar dessa janela, sempre esqueço-me de como é fresco aqui desse lado da cidade, e nossa, como é linda a vista daqui de cima. De todas às vezes que vim aqui, nunca prestei atenção em como é desajeitado seu apartamento, pequeno, por quê suas roupas continuam jogadas naquele canto desde a semana passada? E não me olhe com essa cara de quem foi ofendido, sabe muito bem como sou criteriosa com limpeza.
Enfim, já estava perdendo o foco de o porquê vim aqui, sabes que me empolgo quando começo a brincar com as palavras, pareço uma menina travessa. Lembra da vez em que me pegou no colo e me fez te dizer várias palavras com a letra i que demonstrassem meus sentimentos? Parei em infindável, e agora você diz que não demos certo por nos amarmos demais. O amor é uma coisa muito complexa para os seres humanos alcançar, e acho que nós nem começamos a caminhada para ele.
Ah, sim. O que vim falar é que recomece sua vida nesse outro país, não irei ao seu encontro pois meu amor está como água morna se esfriando a cada dia que passa, mas quero que sejamos bons amigos da melhor forma possível, nossas mentes sempre afogaram nossos sentimentos, então, bom amigo, me mande cartas e por favor, uma daquelas estatuetas dos monumentos históricos desse país.
Sabe, acho que irei me aproximar dessa janela, sempre esqueço-me de como é fresco aqui desse lado da cidade, e nossa, como é linda a vista daqui de cima. De todas às vezes que vim aqui, nunca prestei atenção em como é desajeitado seu apartamento, pequeno, por quê suas roupas continuam jogadas naquele canto desde a semana passada? E não me olhe com essa cara de quem foi ofendido, sabe muito bem como sou criteriosa com limpeza.
Enfim, já estava perdendo o foco de o porquê vim aqui, sabes que me empolgo quando começo a brincar com as palavras, pareço uma menina travessa. Lembra da vez em que me pegou no colo e me fez te dizer várias palavras com a letra i que demonstrassem meus sentimentos? Parei em infindável, e agora você diz que não demos certo por nos amarmos demais. O amor é uma coisa muito complexa para os seres humanos alcançar, e acho que nós nem começamos a caminhada para ele.
Ah, sim. O que vim falar é que recomece sua vida nesse outro país, não irei ao seu encontro pois meu amor está como água morna se esfriando a cada dia que passa, mas quero que sejamos bons amigos da melhor forma possível, nossas mentes sempre afogaram nossos sentimentos, então, bom amigo, me mande cartas e por favor, uma daquelas estatuetas dos monumentos históricos desse país.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
É assim que isso termina de novo, nenhum final surpreendente, nada de coisas que não eram convincentes. Lembro-me da primeira vez que vi você, meu coração deu alguns pulos estranhos, eu não sabia o que ele queria me dizer, senti que conhecia você. E quando você me olhou nos olhos e eu prendi a respiração por um momento que parecia uma eternidade, e meu coração queria pular para fora de meu peito e eu só sabia olhar para você, e desejar você, e queimar por seu amor. Queria me perder dentro dos seus olhos, mesmo sem ter conhecimento algum sobre os caminhos de sua mente, só sabia que queria me perder em você. E traçava mil e um planos na minha cabeça para me aproximar de você, esbarrar, sorrir, cumprimentar. E hoje me pergunto, quando meu coração vai parar de bater por você, e quando vai tratar de devolvê-lo? Pois de jeito algum o seu chegará a bater por mim, e seu sorriso trará luz para minha vida. Acho que está chegando o momento onde eu me desfaço de você, me desembaraço de suas teias e liberto minha alma atormentada por seus sorrisos e seus olhares. Deixarei de procurar você onde eu vou, tratarei de esquecer de sua voz rouca, pararei de pensar em você e tratarei de pensar em mim.
domingo, 2 de outubro de 2011
Andava de um lado para outro, com seu cérebro trabalhando a todo vapor, absorvendo toda a informação de sua última conversa com ele. Sua mãos tremiam sem parar, sua unhas estavam cravadas na carne de seus braços, seu olhar era vazio, seu rosto estava sem expressão alguma. Como depois de todo esse tempo fingindo alguém conseguirá ver através de sua camuflagem? Valerie, era menina esperta, olhar perceptivo, mente aberta, mas quieta. Setembro, Setembro se fora, e deixará muitas lembranças para ela, dolorosas -talvez- de seu pseudo-romance. Outubro chegou sem nenhuma esperança, só algumas cinzas de cigarro e borrões de lembranças no ar dentro de seu apartamento. Valerie finalmente fez parte do ciclo onde ela via todos se entregarem, o ciclo onde ela se apaixona, se machuca, sofre, deixa as feridas cicatrizarem, e recomeça tudo de novo. Iria voltar para sua vida preta e branca longe do ciclo, Outubro seria preto e branco, assim como aqueles lindos filmes mudos e melancólicos, onde a mocinha se pega andando pelas ruas chutando pedrinhas e pensando em quando tudo chegará ao fim. Setembro foi como aquele filme, Outono em Nova York, só que com os meses invertidos, onde a protagonista vive com seu amor alegremente, até que morre por uma doença terminal. É claro que Valerie não morreu literalmente, mas quando a alma morre o corpo não dura muito tempo, e quando o coração parte nem mesmo um novo amor é capaz de fixá-lo.
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