sexta-feira, 27 de maio de 2011
Lá estava ela deitada na cama, revirava-se, mas a essa altura o sono já tinha se ido. Virou-se para o lado onde havia algo concreto, algo que respirava. Era a pessoa a quem ela chamava de "meu marido", mas que ela não conseguia se comunicar com palavras, ela se sentia unida a ele só quando seus corpos estavam próximos. Lentamente subia nela o desejo de tocar aquele corpo branco e lindo, que em parte, era dela. Quando estava quase o tocando, refreou-se, enquanto seu desejo de tocá-lo crescia, emergia das sombras de sua alma o medo. Medo de que ao seu toque ele abrisse os olhos, se fizesse isso, seus olhares se cruzariam, ela não queria isso, ela não queria que ele captasse a linha de seus pensamentos. Ele poderia assustar-se e fugir dela, embora ela não o amasse, ela não o desejasse com o corpo, sentia falta de algo para chamar de "meu". E ele era dela, e ela nunca seria dele. No silêncio daquele quarto sem energia, sem movimento e sem vida, ela não quis mais tocá-lo, temia que a vida, e a energia voltasse aquele aposento, como uma máquina ao ser ligada.
domingo, 22 de maio de 2011
Costumava ser fria, não sentir medo de nada, não sentir nada por ninguém, não ser domada por sentimentos tolos, embora ainda ache todos eles desnecessários, não posso simplesmente mentir, e dizer que não sinto nada por você. Mas o que? Sinto o que? Amor? Acho que não, espero que não. Você tirou me do meu mundo, me fez enxergar tudo de um novo ângulo, de um modo velho, real. Gosto disso, mas tenho dúvidas sobre o "gostar", tenho dúvidas sobre tudo ao seu respeito. Não gosto da sensação da incerteza, não gosto da sensação que você deixa me sentindo. Sentindo? Não tenho certeza sobre isso também, nunca senti, nunca vivi, apenas estive, apenas fiquei, apenas permaneci. E é assim, é assim que eu espero que isso termine, comigo estando, comigo ficando, comigo permanecendo, e não vivendo, não sentindo, apenas estando.
Costumava ser fria, não sentir medo de nada, não sentir nada por ninguém, não ser domada por sentimentos tolos, embora ainda ache todos eles desnecessários, não posso simplesmente mentir, e dizer que não sinto nada por você. Mas o que? Sinto o que? Amor? Acho que não, espero que não. Você tirou me do meu mundo, me fez enxergar tudo de um novo ângulo, de um modo velho, real. Gosto disso, mas tenho dúvidas sobre o "gostar", tenho dúvidas sobre tudo ao seu respeito. Não gosto da sensação da incerteza, não gosto da sensação que você deixa me sentindo. Sentindo? Não tenho certeza sobre isso também, nunca senti, nunca vivi, apenas estive, apenas fiquei, apenas permaneci. E é assim, é assim que eu espero que isso termine, comigo estando, comigo ficando, comigo permanecendo, e não vivendo, não sentindo, apenas estando.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Ela se agarrou aquilo como se sua vida dependesse disso. Ela gritou por aquilo como se sua alma estivesse faminta. Correu, correu para longe. Sentiu o vento passar pelos seus cabelos escuros, sentiu-se livre por um momento. Mas daí veio a realidade, caiu brutalmente sobre sua consciência. Já não sentia mais, já não gritava mais, virou medíocre. Diante de toda a sua mediocridade, já não dependia mais, sua fome passou, foi como um câncer, se espalhou rapidamente pelo seu organismo. Quando foi embora, levou tudo que ainda restava dentro dela, deixando um vazio em seu lugar, um vazio que não poderá ser preenchido jamais.
sábado, 14 de maio de 2011
Eu desapontei você não foi? Terei de conviver com essa nova dor agora. Esse vazio que toma conta de mim, esse buraco negro que me possui. Ele irá te abandonar se você não cuidar dele, quem é ele? Seus sentimentos, seu amor, isso que você tenta encobrir, tenta enterrar. Não fuja, porque eu não estou fugindo de você. Você diz que quer ter-me ao seu lado, o que está esperando? Eis me aqui, eis me aqui esperando você se curar de sua cegueira, e me enxergar bem na sua frente. Não sei por quanto tempo isso irá durar, creio que nada é eterno, tudo passa, tudo passa como uma leve brisa no verão. Se quiser me achar, ache-me logo, porque querida, sentimentos são temporários, pelo menos para mim.
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Sentia o vento úmido na minha face, mas não desviava. Seguirei meu caminho em linha reta, sempre em linha reta. Mas havia algo mais nesse vento, algo quase palpável, algo que brincava com meus cabelos, e fazia-me corar. Até parecia que ela havia mandado seu espírito para me atazanar. Seria ela capaz de tal atrocidade? Temo dizer que sim, mesmo sem saber, mesmo errando de endereço. Repassarei o espírito dela? Não, ele é meu agora por direito. Se não posso tê-la ao meu lado, terei seu espírito comigo. Não sofro por isso, ao menos sinto, sobre isso. Amo ela? Não, apenas gosto de mais.
domingo, 1 de maio de 2011
Não sei o que pensar disso, não sei o que escrever sobre isso, nem ao menos consigo sentir sobre isso. Não quero vê-la presa as minhas feridas, não quero que ela pense que pode expelir meus medos. Mas ao mesmo tempo que penso sobre isso, vejo que "nós", poderia realmente existir, eu não sei se a amo, mas sei que ao menos eu tentaria sentir por ela algo parecido com o amor. Seria egoísmo da minha parte, deixar que ela se prenda a algo, feio e leproso, como eu, afinal de contas, a sua beleza não tem comparação. Sei que devia, mas ainda não sinto amor por ela, e sim, sinto que preciso dela, sinto que gosto dela mais do que devia. Mesmo com amor ou sem, eu tentaria fazer o possível para deixa-lá contente e ver o seu lindo sorriso.
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