quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Noite passada, perambulei pelas ruas vazias de minha mente, passei pelas ruas mais desertas ainda do meu coração. Não sabia o que queria, sabia que queria só andar, talvez correr. Senti que estava procurando por algo, estava chamando por algo. Andei chutando as pedrinhas que se soltaram de minha alma, em forma de memórias. Olhando o negro céu onde brilhavam poucas estrelas que pareciam querer me dizer algo, só que não conseguiam arrumar formar de fazer isso. Sempre de cabeça baixa, fui andando lentamente, corria algumas horas, pois queria sentir o vento soprando forte em mim. Quando essas ruas tornaram-se tão vazias, uma vez que havia vida lá algum tempo atrás, ou era pura ilusão? Fui dobrando esquinas, sentindo o desespero subir pela minha garganta sufocando-me. A cada esquina ia enfraquecendo,  ponto de o medo me dominar e meus joelhos dobrando me jogando no chão. Gritei de medo quando eu senti as sombras me agarrando e me puxando para elas, quando elas estavam quase engolindo-me completamente, senti uma mão agarrando a minha, me puxando com todas as forças para fora. Era você, o que eu procurava durante toda essa andança era você, o que eu mais deseja nesse mundo era você. O que me tirou da escuridão e me fez viver, foi você. A razão dessa procura, era você. Sinto muito ter de abandonar meu coração gélido, mas foi ele que me traiu antes. Não quero mais ele, porque eu só quero você. Quero um novo coração, quero um novo começo, uma nova caminhada ao seu lado.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Quero gritar, quero chorar, quero você perto de mim, mas não tanto que possa fazer com que eu não consiga mais viver sem você. Quero correr com você, para você e sem você. São paradoxos que não consigo impedir que venham em minha cabeça, e todos ligados a você. Eu acho que amo você, mas eu não quero amar você. Você me causa medo, mas me causa tanto amor, me causa angústia e também consegue acabar com ela. Consegue com que eu fique pensando só em você e esqueça de mim. Reprime meus pensamentos egoístas ao ponto de eu nem saber se sou eu mesma mais. Me põe a prova cada vez que decidi falar comigo, não sei se deixo você para fora de minha vida ou deixo entrar. Minha dúvidas nunca chegam ao fim, como as respostas também não chegam até mim. Escrevo sobre tudo isso porque sei que minha mente não é o melhor lugar para guardar todas essas coisas, a qualquer momento ela pode me trair como meu coração o fez. Sinto que posso me entregar aos seus braços, mas que não me sentiria completamente confortável neles. Tem vezes que quero tanto você que chega doer, chego a sentir você em toda a parte, vejo você em cada pensamento e se não vejo penso que vejo. E quando penso que posso estar sendo substituída, dói muito, nunca doeu tanto quanto agora. Queria aprender a amar você como deveria, e não desse jeito desajeitado, queria que você me ensinasse, mas não tenho certeza se poderia. Te mandei sinais mais do que podia, mas me sinto esgotada. Queria poder proteger você de tudo quanto fosse mal, andar ao seu lado, conversar sobre coisas bobas, ouvir o som de sua risada abafado pelos seus lábios que estarão selados nos meus, ouvir sua voz baixa perto do meu ouvido, ter sua respiração no meu pescoço. Sinto saudades de tudo isso, que nunca aconteceu e está longe de acontecer.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Ando cansada dessas procuras inúteis, das quais eu sei que nunca vou obter um resultado satisfatório. Quando penso que finalmente o amor me encontrou, vejo que ele nem ao menos bateu em minha porta, pois eu não estava a sua procura e nem ele a minha. Sim, sei. Já me conformei com essa história de não gostar de ninguém, não pelo fato da dor -pois ela não me faz diferença- mas sim, porque sei que não conseguirei me prender a um ser do jeito que ela tentará se ver preso a mim, não quero isso, não gosto. Não conseguirei retribuir nada que não seja algo falso, sem propósito. Por isso, tiro a conclusão que devo viver sozinha, seguir minha vidinha normalmente, fingindo que nada aconteceu. Que ao menos nem um fio de adoração por você passou por mim, só mais um entre poucos que conseguiram levantar meu olhar em sua direção por pouco mais de 5 minutos. Meu coração continuará solidificado, não correrá risco de bater forte ou mostrar qualquer sinal de vida.

domingo, 14 de agosto de 2011

Quando você vê tudo desmoronar na sua frente e não quer estar ali para ver mais, tenta todas as saídas, qualquer forma para fugir disso, qualquer coisa que desvie seu olhar, qualquer coisa que faça você ir embora. Você sente seu corpo inteiro doer, um nó na sua garganta fechando, um sufoco no peito que não consegue repelir. Você deseja com todo seu ser que isso vá embora, que a dor desgarre de você, que você possa respirar tranquilamente. Espera palavras de conforto sabendo que não será a solução, mas só quer se ver calma, ver sua mente fugir disso. Bruscamente sente seu coração pular para fora do peito, seus batimentos ficarem descontrolados, a loucura tomando conta de sua mente, um grito de desespero ficar preso em sua garganta. Debato-me contra tudo isso, grito mentalmente para eles irem embora, ameaçam voltar, arranham minha alma, ferem meu ego, me botam contra o espelho e me fazem enxergar um monstro. Se vê sem saída novamente, um desmoronamento é imprescindível, e sabe que tudo irá cair sobre sua cabeça, tudo vira à tona. No final, quando a luta contra você mesmo está ganha, sente-se cansada, enjoada, quer morrer mas não pode decepcionar quem a ajudou e a quem será grata pelo resto de sua vida.

Se fosse tão fácil arrancar essa dor que me sufoca e se esconde em peito, guardá-la em uma caixa vazia debaixo de minha cama por segurança, faria. Essa dor que traz lágrimas das quais eu não consigo arrancá-las de meus olhos, e acabam por fim ficando presas como cimento em meu árduo coração de gelo. Isso está sufocando e matando todo e qualquer sentimento que ameaça emergir de minha alma gasta, provocando ondas de arrepios por toda a  minha espinha. Chega a sufocar até meus pensamentos, causando um nevoeiro por toda minha mente, deixando-me as escuras, sem direção. Digo que esse sentimento escolheu a pessoa errada para povoar, e tomar por posse, não sou o tipo que reage vivamente a tudo isso. Esse sentimento está se sentindo sufocado e fazendo com que eu me sinta também assim, pois não acha ser algum para se instalar e compartilhar o que ele acha direito. Quero fugir dessa nostalgia, gritar alto até a garganta sangrar, espernear, correr para longe sem rumo. Deveria estar sentindo algo bom, mas não sinto. Quero chorar, quero gritar, quero fazer coisas das quais não seria bom me lembrar, quero que essa sensação vá embora, e leve  tudo isso com ela. Quero ser livre outras vez, ser vazia, construir novas barreiras, novas regras, não viver, não compartilhar, não sentir. E não quero ter de gritar para o mundo isso, ter de chegar na sua frente, falar a verdade, ter de assumir todas essas coisas das quais eu não tinha nenhum conhecimento antes. Pelo menos uma vez na vida gostaria de poder chorar, para expulsar tudo isso de dentro de mim, já que meu antigo método foi vetado. Quero sangrar até sair tudo que há dentro de mim e me deixar vazia novamente, ver o sangue escorrendo e indo embora, para ter certeza de que não vai voltar.

sábado, 13 de agosto de 2011

Lembro-me como se fosse ontem, aquela brisa roçando de leve meu rosto, meu cabelo -castanho avermelhado- dançando conforme a direção do vento. Meus olhos castanho claro brilhando como o mais forte sol, meu sorriso sincero se abrindo a medida que se aproximava. Segurei sua mão, e me deixei levar por seus encantos, ouvi sua voz condolente dizendo que queria que aquele momento durasse para sempre, e seus lábios rosado procurando os meus. Contamos intermináveis histórias fictícias, inventamos novas maneiras de percepção. Corremos em direção de algo que sabíamos que era inexistente, nos agarramos a coisas abstratas, não sobrevivemos ao último inverno, congelamos. E hoje, forço meus pensamento a voltarem naquele dia. Aquele dia que você me abandonou, que largou minha mão e seguiu em frente. Você conseguiu se descongelar, eu continuo aqui, presa nesse bloco de gelo, sem saída, sem direção.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Um ser não pode ser feito só de palavras, pois além de vazias, se corrompem facilmente. O tempo não é culpado de nada, ele não pode apagar os seus erros, os meus erros. As cicatrizes são incuráveis, e o arrependimento não chega, a dor pelo o que você deveria sentir é incessante. Os fantasmas arranhando seu corpo, te puxando para junto deles, machucando você até sangrar. Eles não te deixam em paz -não me deixam em paz- perseguem em círculos, corremos para longe deles. Tem sempre aquela dúvida atormentando a sua cabeça, aquele livro cheio de questões infinitas. Morreremos e nem ao menos nos despediremos direito dessa vida.