quinta-feira, 14 de abril de 2011

A respiração está curta e lenta. Não enxergo nada- a luz está apagada- prefiro assim. Penso em como foi meu dia e reflito sobre o comportamento das pessoas ao me redor. Será que algum dia vou conseguir achar meu lugar no meio delas? Provável que não. Não me enxergo no meio deles, não me imagino com um sorriso falso no rosto, e com palavras sempre prontas para agradar qualquer um. Puxo a cortina e olho além do vidro da janela, enxergo telhados e mais telhados. Enxergo um céu lindo, imagino se lá em cima anjos me esperam. Ok, estou sonhando com algo que não existe. Desisto te sonhar, com os olhos abertos limpo minha mente de pensamentos desnecessários.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Olhei para a agulha e tive vontade de correr. Não sei o porque disso, tantas vezes já senti a agulha perfurar minhas veias, por quê o medo agora? Aquele tremor começava nas pontas dos meus pés, e ganhava mais força quando se chocava com a frieza do músculo involuntário -que se localiza na parte esquerda do meu peito. Eu olhava aquele corredor com paredes brancas e portas azuis, aquelas pessoas de jaleco branco, caminhando de lá para cá e vice e versa. Aquelas pessoas debilitadas e enfermas gemendo, chorando e implorando por ajuda- elas não eram tão diferentes de mim. Enfim, ouvi alguém chamar meu nome, entrei naquela sala com paredes brancas- aquele lugar inteiro tinha paredes brancas- me sentei na cadeira azul, puxei a manga de meu moletom, e esperei. Depois de tantos cortes e picadas, ainda sentia aquela ansiedade, aquele tremor, de ver aquela agulha pressionando aos poucos minha pele, e alcançando minha veia por fim.
Na volta para casa, caminhei olhando para baixo, analisando cada trecho da rua suja. Aquele cheiro de nicotina com urina, se impregnava dentro de minhas narinas- cidade imunda. Como de rotina, parei em um beco, senti a comida pesando em meu estômago, sabia o que vinha por frente. Fechei os olhos, e deixei meu estômago fazer o resto.

sábado, 9 de abril de 2011

E ela olha para a figura pálida no espelho, é a última tentativa. Aos poucos se lembra como foi sua jornada até aquele momento, analisa cada minuto que passou minuciosamente. Nenhuma saudade ou arrependimento do que passou. E todos aqueles sorrisos forçados, que a machucavam como uma adaga, e todos aqueles ferimentos feitos para tentar matar o que tinha por dentro. Agora tudo virou cinza. Se aproxima do espelho, dá mais uma olhada naquela coisa pálida, com aparência repugnante. Lentamente levanta o revólver, e o coloca no céu da boca. Mais um momento de reflexão. Sem esperanças, puxa o gatilho. E os pedaços do crânio daquilo que um dia foi Elizabeth, agora estão espalhados pelo chão do quarto.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Razão de Ser

Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
e as estrelas lá no céu
lembram letras no papel,
quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?
                  Paulo Leminski
Ela debate-se, tenta se libertar dos fios, mas é quase impossível para ela cortá- los de uma vez. Sua aflição aumenta a cada minuto que passa, ela sente que está a ponto de se dar por vencida, mas até essa hora chegar ela tenta fugir, correr para bem longe dos fios que a prendem aquilo. Os fios estão a puxando para baixo, ela grita por socorre mas ninguém a ouve, os fios a machucam, seu corpo está todo ensanguentado e cheio de arranhões. Finalmente ela consegue se desprender de um dos fios, mas sua esperança é derrubada rapidamente, pois os fios a levaram para baixo, dando- se por vencida fecha os olhos, e espera a escuridão chegar.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Hoje fui surpreendida por minha lágrimas, me tornei tão insensível que pensei que elas nunca mais fossem tornar a molhar minha face. Tamanha surpresa me agradou ,de fato, mas ainda sinto que elas só caem superficialmente. A sensação que essas lágrimas me trouxeram, não foi de tristeza, mas sim- arrisco-me a dizer- de felicidade , felicidade por saber que bem lá no fundo, ainda existe um pouco de vida, ela simplesmente precisa ser cultivada, por alguém que não será eu- é claro. Rogo para que alguém ouça meus chamados incessantes e venha cuidar de mim, para que assim a vida seja trazida de volta para meu corpo debilitado. Enquanto essa alguém não chega, continuo na expectativa da lágrimas novas voltarem a cair, para eu poder sentir mais uma vez, essa pontada de esperança que traz com ela um sorriso em minha face.
Procuro por algo,
não necessariamente alguém, 
por vários motivos me calo.
Não enxergo ninguém,
nem sei mais porque falo. 
São apenas palavras jogadas ao vento,
elas pairam pelo ar
Não me julgues pois eu tento,
mas estou cansada de vagar. 
Vagar a procura de algo para lutar, 
mas minha melancolia, não me deixa continuar.
Então tento soprar para bem longe, minha dores
finalizo isso com flores
Que no final farão companhia,
para mim e minha alma vazia.